10/06/2022

Martin Mystère #29 e #30

Mystère investiga... Zagor?!

A Sergio Bonelli Editore - como outras grandes editoras populares - volta e meia 'marca' encontros entre os seus heróis - ou com heróis de outras editoras, como aconteceu recentemente com a DC Comics - os crossovers que garantem atenção mediática e a atenção redobrada dos fãs das personagens envolvidas e... dos outros.
Este díptico - La hacha encantada/La astronave de los seres perdidos - de Martin Mystère. embora com características bem diferentes, de alguma forma pode corporizar um género de crossover diferente.
Na verdade, Mystère e Zagor - ou mais exactamente Za-Te-Nay - não se encontram numa mesma época, mas este último é o centro de um dos habituais... mistérios de Mystère.
Tudo começa com a visita de um coleccionador de novelas pulp ao Detective do Impossível, após ter encontrado uma machadinha com estranhas propriedades - que supostamente pertencera a Za-Te-Nay, herói da fronteira das tais narrativas baratas e populares no Velho Oeste, na segunda metade do século XIX.

Para dourar mais um pouco a história, Alfredo Castelli faz de um mexicano baixinho e gordo chamado... Pancho, o cronista dessas aventuras, colocando como principal opositor deste herói um cientista meio louco, baptizado como Vírus e com o visual de um protagonista de outra das aventuras originais.

Estabelecidas as bases, Castelli diverte-se a minar o visual do herói - aqui mais bronco e abrutalhado - fazendo o mesmo às origens oficiais do herói de Guido Nolita, transformando-o de acordo com os 'estereótipos' dos inquéritos de Martin Mystère - e tendo mesmo o arrojo, como cereja no topo do bolo, de narrar a sua morte, algo a que os seus criadores nunca se atreveram.

Narrada a dois tempos - no presente, com Mystère e Java - e em meados do século XIX - com Za-Te-Nay, Virus e Pancho - e com teor diferente consoante o ponto de vista de quem a narra, a história, vai avançando de acordo com as características próprias de cada registo - enquanto estabelece elos sólidos entre elas e com a cronologia do Detective do Impossível - num tom entre o humor, a homenagem e a grande aventura, com tudo para proporcionar uma leitura bem entretida - e bem resolvida - que é competentemente sustentada pelo traço limpo e seguro de Franco Devescovi, que atenua algumas passagens que podem ser mais complexas e recria com credibilidade locais conhecidos da vivência de Zagor.


Martin Mystère #29: El hacha encantada
Martin Mystère #30: La astronave de los seres perdidos
Correspondente a Martin Mystère #242 e #243, da edição original italiana
Alfredo Castelli (argumento)
Franco Devescovi (desenho)
Aleta Ediciones
Espanha, 2007
160 x 210 mm, 96 p., pb, capa cartão

(imagens disponibilizadas por Aleta Ediciones; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão)

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