Sol de Inverno
“Un roman noir au soleil” ("Um policial negro ao sol"), lê-se na contracapa e realmente é isso que Eacersall e Blondel nos servem neste Calle Málaga que decorre numa zona balnear deserta, em pleno inverno.
O relato é servido por uma linha clara agradável - foi o que primeiro me chamou a atenção nesta obra - mas algo soturna, pois está pintada com tons maioritariamente ocres e castanhos, que definem o ambiente e o tom e retratam bem um Sul de Espanha ao abandono, na estação do ano errada.
O protagonista, é um jovem francês que vai vagueando pelas calles desertas, revelando que aquela solidão não aconteceu por acaso, foi fruto de uma escolha determinada e pessoal.
Os seus passeios curtos, assertivos, são pontuados por alguns receios e temores: olhar por cima do ombro é frequente; a interacção com os locais ou os raros turistas é reduzida ao mínimo.
A excepção, a quebra desta rotina, será provocada por outro jovem, vizinho de andar no bloco de apartamentos onde habita, alegre e expansivo, cuja proximidade primeiro evitará e depois cultivará.
Este relato indolente, intimo e contemplativo, em que se vai adivinhando, sem se saber bem porquê exactamente, um tom vagamente policial, feito de grandes silêncios e olhares perscrutadores, só encontrará sentido e razão no desfecho, que se revela mais consistente e de caráter surpreendente do que aquilo que a maior parte dos leitores esperará e que acabará por constituir o ponto mais forte desta narrativa aconselhada para leitura de fim de tarde, nestes dias invernais, a recordar o sol e o calor do Verão.
Calle
Málaga
Mark
Eacersall (argumento)
James Blondel (desenho)
Bamboo
Édition, selo Grand Angle
França,
2025
221
x 299
mm, 72
p., cor, capa dura
16,90
€
(imagens
disponibilizadas pela Bamboo;
clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão)





Sem comentários:
Enviar um comentário