Thorgal
é sem qualquer dúvida uma das séries de BD da minha vida. Descobri-o,
deslumbrado, no Mundo de Aventuras; (re)li-o aos soluços em edições
de vária proveniência: Bertrand, VHS, Futura...; ganhei absoluta
consciência da sua importância e qualidade ao ler de seguida uma
vintena de álbuns em francês; acompanhei-o, depois, mais
intermitentemente do que desejava, até ao fim do ciclo de Van Hamme,
um pouco mais até, com um Sente desinspirado - como quase sempre,
vinco… - que me levou aos poucos a deixar uma série que combinava
de forma perfeita passado e futuro, aventura e ficção científica,
um realismo e sobrenatural.
Peço
emprestada a Sophia de Mello Breyner Andresen uma frase emblemática
de O
Cavaleiro da Dinamarca:
“(…)
as histórias tantas vezes ouvidas pareciam cada ano mais belas e
mais misteriosas (...)” E
é isto que a BD tem feito, muitas vezes, nos últimos anos: pegar em
histórias ‘tantas
vezes ouvidas’,
dar-lhes uma roupagem diferente, apropriada à linguagem dos
quadradinhos que as recontam, e torná-las ‘mais belas e
misteriosas’.