Disseram 'fotonovela'?
Há
que reconhecê-lo: apesar de um certo esforço para apresentar aos
leitores portugueses BD feita pelos seus congéneres, com uma ou
outra excepção - como A Fuga ou
A vida oculta de Fernando Pessoa
(na realidade uma reedição) - a Iguana - agora só Penguin - não
tem sido particularmente feliz.
Neste
contexto - mas não preso a ele - Mar
de Rosas é
uma bela surpresa. Para mais sendo a primeira obra de fôlego do
autor, Tomás Sousa.
E quero adiantar desde já que seria uma bela surpresa em qualquer outro contexto, mesmo que a capa - de leitura algo difícil - não ajude muito - tal como a sinopse.
Vou começar por esta última, que confirma o que se lê na capa: Mar de Rosas assume-se como uma fotonovela - sem as foto(s) - em que a morte do patriarca da família deixa a herança suspensa entre o filho, apaixonado pela empregada mas prestes a casar com a interesseira rica; outra irmã que pretende manter vivo o legado do pai e uma terceira que balança entre o mundo e o convento.
Mas quando se pensa que nada de bom poderá vir daqui - de uma fotonovela, entenda-se… - eis que deparámos com um relato muito bem ritmado, narrado com um traço grosso linha clara de assinalável dinâmica, com um artifício que resulta bem - colocar os protagonistas alternadamente como narradores - e, para mais, servido por uma bela dose de ironia que contribui para fazer a diferença.
Mais denso do que seria expectável, Mar de Rosas desenvolve-se de forma consistente, pecando apenas por um final que, ao desejar-se aberto, para uma eventual continuação e voltar onde já foi feliz, se arrisca a pôr em causa o que de muito bom foi aqui conseguido.
Mar
de Rosas
Tomás
Sousa
Penguin
Portugal,
Setembro de 2026
171
x 239 mm, 192 p., cor, capa mole com badanas
20,45
€
(imagens disponibilizadas pela Penguin; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão; clicar nos textos a cor diferente para saber mais sobre os temas destacados)




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