22/10/2009

Astérix 50 anos - O aniversário de Astérix e Obélix – O livro de ouro

René Goscinny e Albert Uderzo (texto) 
Albert Uderzo (desenhos) 
ASA (Portugal, Outubro de 2009) 
221 x 293 mm, 56 p., cor, cartonado 

 






Resumo A propósito do aniversário de Astérix e Obélix, o chefe Matasétix convida para virem à aldeia todos aqueles que se cruzaram com os dois gauleses ao longo das suas aventuras, para se associarem à efeméride e trazerem-lhes um presente. Uns acedem ao convite e aparecem; outros, por razões diversas, apenas podem enviar um postal. E as prendas, opiniões, recordações ou premonições, vão-se multiplicando, com a participação de gauleses, romanos e outros. 

Desenvolvimento 
Num registo entre a banda desenhada, que em boa verdade ocupa apenas 34 das 56 páginas do livro, e a ilustração, este é um álbum atípico de Astérix. Desde logo, porque embora sendo uma única narrativa – até na numeração das pranchas - apesar do fio condutor descrito atrás, a história é feita de episódios soltos, unidos apenas pela temática comum. Isto levanta alguns problemas na leitura, com algumas das soluções escolhidas a não funcionarem muito bem, devido aos diferentes ritmos, de estilo e de forma de cada cena. O álbum até começa muito bem, com quatro pranchas em que a acção se passa em 1 d. C. (depois de Cristo), com os heróis a surgirem 50 anos mais velhos e com famílias (bastante) desenvolvidas, o que possibilita alguns gags bem conseguidos. A aparição de Uderzo, vítima da insatisfação de Obélix, repõe a normalidade, descobrindo-se que - afinal? – tudo não passou de um sonho. Ou de uma reflexão de Uderzo sobre a perenidade dos heróis dos quadradinhos… Depois, começa a narrativa base propriamente dita, heterogénea, como atrás referi, que combina momentos pouco felizes – o “desfile” de moda de Obélix feito pela srª Decanonix, o jogo da pelota romana, a descrição casamenteira de Boapinta, a mulher do chefe, a divagação de Decanonix, o mau gosto do efeito provocado pelo presente de César … - com outros bem divertidos, como a iniciação à leitura de Obélix, a recuperação do texto de Goscinny sobre as férias gaulesas, os “postais ilustrados” de Númerobis e dos piratas, com Babá a emular Kate Winslet em “Titanic”. Mas o álbum vale – e quero reforçar a ideia de que globalmente o álbum vale a pena – pela releitura feita a algumas cenas de álbuns anteriores e pela inclusão de versões de obras-primas da pintura e da escultura, apropriadas aos heróis gauleses, com especial destaque para as foram feitas originalmente pelos mestres Delacroix, Munch, Courbet e, especialmente, Arcimboldo (que originou um fabuloso Astérix reconstruído com recordações das suas viagens). E também dos mestres (da BD) Franquin e Dany. Numa clara alusão à celebração da banda desenhada enquanto arte (maior). Graficamente, a heterogeneidade mantém-se, pois para além da reprodução de vinhetas de vários dos álbuns da série, são incluídas também ilustrações já publicados, a par das pranchas e ilustrações inéditas, que mostram um Uderzo ao nível do seu melhor. Fica a (enorme) curiosidade de saber quanto deste trabalho se deve (ainda) a ele e quanto é (já) da autoria daqueles que vão continuar Astérix após Uderzo: Régis Grébent e os irmãos Frédéric e Thierry Mébarki, no desenho (e, previsivelmente, Arleston, nos argumentos). E se o final é algo frouxo, este álbum é, antes do mais, um (apesar de tudo) belo passeio pelo riquíssimo imaginário de uma série incontornável da banda desenhada franco-belga e mundial, e um apelo à memória de todos aqueles que alguma vez a leram. Aliás, na realidade, concluída a leitura, fica a ideia que o livro, pensado como a celebração de 50 anos de aventuras, funciona como o encerrar de um ciclo, deixando livre o caminho para os sucessores de Uderzo. 

A reter - Antes de tudo, a (bela) evocação de tantas personagens, cenas e situações de 50 anos de Astérix ; - O episódio de abertura ; - As variações “cinematográficas“ de algumas cenas de álbuns anteriores; - A apropriação de esculturas e pinturas clássicas, ajustadas às características das personagens de Astérix. 

Menos conseguido - O Obélix através dos séculos a pretexto do mote “moda”; - As considerações de Decanonix; - O episódio casamenteiro de Boapinta; - O mau gosto do episódio da (falhada) vingança de César. 

Curiosidades - O álbum foi posto à venda simultaneamente hoje, 22 de Outubro, em 18 países; - A sua tiragem global foi de 3,5 milhões de exemplares; - Em Portugal a tiragem inicialmente prevista era de 50 mil cópias, mas foi aumentada para 60 mil devido á procura entretanto registada. 

Desafio - Descubra no álbum todas as personagens evocadas e associe-as ao respectivo álbum original. A informação distribuída à imprensa falava em cerca de 400…

2 comentários:

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  2. eu li o livro e e dimais li 2 veses

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