22/12/2011

A Ermida

Rui Lacas (argumento e desenho)
Polvo (Portugal, Julho de 2011)
210 x 148 mm, 56 p., 2 cores, brochado
7,90 € 

Resumo
O roubo de algumas jóias, entregues pelo rei D. Carlos a um padre de Lisboa, em vésperas da implementação da República em Portugal, é o mote para esta história de tom vagamente histórico e policial. 

Desenvolvimento
Resultado de um desafio lançado pelo projecto Travessa da Ermida, esta é uma pequena história à margem da implementação da República em Portugal (embora este facto tenha uma importância decisiva no seu desfecho), protagonizada por um padre e um (travesso) menino Jesus de pedra que tem por base um roubo numa igreja e como local privilegiado da acção a Ermida de Nossa Senhora da Conceição, em Belém, Lisboa.
Pequena história, já o escrevi, dotada de humor simples e cativante, narrada (com mestria), quase sem palavras, numa combinação de fantástico e realidade que cativa e dispõe bem, é a confirmação – se tal fosse ainda necessário – do talento para a narrativa sequencial gráfica de um dos mais produtivos – e interessantes – jovens autores nacionais.
Porque, apesar de ser uma história simples, na forma como foi concebida, no argumento desenvolvido e na concretização da narrativa, conduz o leitor, curioso e intrigado, ao longo das suas páginas, sem momentos mortos nem lapsos narrativos, fruto especialmente da planificação dinâmica e diversificada - apesar da sua (aparente) simplicidade de apenas uma ou duas vinhetas por página, bem trabalhadas com uma única cor (verde) adicionada ao preto e branco – numa sucessão de grandes planos, vistas de conjunto ou zoom sobre pormenores que têm como único objectivo disponibilizar ao leitor tudo o que é importante para completa compreensão e fruição da história que é contada.
História essa que adopta um tom vagamente policial, com as jóias entregues ao padre a desaparecerem misteriosamente, sem que haja pistas nem suspeitos. Perplexo e desesperado, por de alguma forma ter sido traída a confiança em si depositada, o padre investiga à sua maneira, sendo o desfecho, que tem lugar a dois tempos, duplamente surpreendente, por razões que convido o leitor a descobrir. 

A reter
- A enganadora simplicidade do relato, que esconde a mestria narrativa de Rui Lacas.


1 comentário:

  1. Je vous souhaite de joyeuses fêtes et une douce nuit de noël à vous et à tous ceux que vous aimez.
    Gros bisous.

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