15/09/2020

A época das rosas

Premiado







Lançado no início do Verão pela Planeta Tangerina, que em simultâneo nos presenteou igualmente com o ‘português’ Desvio, este livro vem (surpreendentemente) aureolado com o Prémio do Público do Festival de BD de Angoulême.
Surpreendentemente, não pelo prémio em si, mas pela sua edição em Portugal. Sei - escrevo-o regularmente - que os prémios valem o que cada um de nós quiser, mas é evidente que há prémios que valem mais do que outros… E se um prémio em Angoulême é sem dúvida significativo, sendo atribuído pelo público parece indicar que a sua autora, Chloé Wary, conseguiu encontrar - e conquistar - os seus leitores.
Mas já chega de escrever sobre prémios, porque o importante é a obra que o conquistou, neste caso A Época das Rosas, que merece ser convenientemente abordado e para isso parto do sub-título que me surgiu aquando da leitura do livro.

Sonhos e... realidade
É evidente que no caso presente, a temática ajudou ao prémio (lá vou eu outra vez!?): as Rosas do título são uma equipa de futebol feminina que, devido à crise financeira, se vêem confrontadas com um corte de subsídios que as impedirá de lutar pela previsível presença no campeonato nacional, em detrimento da aposta total por parte do seu clube na equipa masculina, apesar desta estar menos bem classificada. É então que as jogadoras lançam um desafio: serem elas as escolhidas, caso consigam vencer os homens em campo.
Trabalhado com um traço que à partida se estranha, para mais servido por cores fortes, mas que ajuda a definir om ambiente, a história começa antes e centra-se no quotidiano de Bárbara, a capitã e vedeta das Rosas de Rosigny, dividida entre a sua paixão pelo futebol, a incompreensão da mãe, a necessidade de se dedicar aos estudos e a relação que está a começar com um jogador da equipa masculina.
A sua proximidade com o treinador, os choques com o namorado, a relação com as colegas e o simples facto de estar à porta da entrada adulta e de um mundo que se revela diferente, dão também um toque intimista ao relato, o que acaba por facilitar a criação de empatia com leitores... e leitoras.
Descobrir o resultado do jogo e as suas consequências, dependerá de aceitar o desafio de ler esta obra, com a certeza que o tempo dos contos de fadas está longe, mas que sonhar é possível, mesmo quando se vive nos subúrbios e a realidade é feita de crises financeiras, opções populistas e/ou tão só a dificuldade de ter de viver.

A Época das Rosas
Chloé Wary
Planeta Tangerina
Portugal, Junho de 2020
165 x 230 mm, 200 p., cor
18,90 €

(Versão revista e expandida do texto publicado no Jornal de Notícias de 13 de Julho de 2020; ver mais imagens disponibilizadas pela Planeta Tangerina aqui; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão)

3 comentários:

  1. Se pessoalmente a premissa do argumento parece um bom mote, esta arte não me convence,ainda mais numa altura que em função da oferta temos que fazer opções.

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  2. Caramba, a sério? o público era constituído por crianças de 5 anos?

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  3. A abordagem (interessante) ao tema justifica, em minha opinião. Não diria crianças de 5 anos, mas pessoas que têm da BD outra ideia /abordagem (consta no livro que ganhou outros prémios). Pessoalmente não me convenceu, mas percebo.

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