Casa da Cultura de Beja
Portugal tem hoje em dia uma série de eventos - festivais, salões, mostras… - dedicados à BD. Importantes para todos: para os leitores, por poderem conhecer os seus autores preferidos, ver os seus originais e descobrir novas propostas; para os autores, pelo contacto directo com aqueles para quem escrevem e/ou desenham; para os editores, porque são momentos significativos de venda (directa) das suas edições.Apesar de pontos em comum, cada um desses eventos tem públicos-alvo diferentes, características diferentes, propostas diferentes…...e depois, existe Beja.
Beja,
o Festival Internacional de Banda Desenhada, de que estive ausente
demasiados anos, mas que, após XXI edições, continua intacto em
tudo aquilo que tem de mais especial e bom: o ambiente informal que
potencia o contacto directo entre todos os participantes - autores,
editores, leitores, simples curiosos - exposições sóbrias mas bem
conseguidas, uma igualdade absoluta de tratamento de todos os
autores, sejam eles estrangeiros ou portugueses, consagrados ou
desconhecidos, com muitos álbuns publicados ou a dar os primeiros
passos nos fanzines.
E, a par dessa informalidade, por estranho que possa parecer, o cumprimento rigoroso de uma programação vasta e diversificada em que avultam as conversas de 20 minutos, cronometradas ao segundo pelo ‘implacável’ Paulo Monteiro, e os concertos desenhados.
Entrando agora mais especificamente na edição deste ano, nos dois dias e meio intensos e aliciantes que passei naquela cidade alentejana, começo por estes últimos. A acompanhar as bandas ao vivo (ou a música pré-gravada) - ou acompanhados por elas? - Nuno Saraiva, Vasco Colombo e Thomas Ott assumiram a tarefa de três formas diferentes, mas todas válidas e capazes de atrair a atenção das dezenas de pessoas que aproveitavam o bom tempo para estenderem por mais algumas horas o convívio nas acolhedoras e já famosas arcadas da casa da Cultura de Beja que tão bem serve de sede ao festival.
Mas é incontornável destacar este aquele, Ott, que com a sua técnica de scratch, transformou um rectângulo de cartão negro e base branca, numa notável ilustração, pormenorizada, com sombras e volumes. Ao longo de uma singela hora, o autor suíço prendeu ao ecrã por cima do palco onde o seu trabalho era projectado, muitos dos noctívagos, incapazes de tirar os olhos daquela mão com um x-acto básico que, raspando aqui e ali, ia dando vida ao desenho. Notável.



Das exposições, para todos os gostos, montadas com a competência que é imagem de marca de Beja, destaco a de Thomas Ott, inevitavelmente, mas também os originais de Dinis Conefrey, Philippe Girard e Luckas Ionathan e a descoberta de Laura Pérez, integrante do colectivo espanhol Aventureras gráficas.
Entre conversas e apresentações interessantes, autógrafos oficiais ou informais, muitos dedos de conversa aqui e ali, encontrar ao vivo de quem só sabíamos do outro lado do ecrã e o contacto pessoal com outros apaixonados por esta arte, o tempo passou num ápice.
Como sempre, as exposições ficam mais duas semanas, até dia 21 de Junho, por isso o conselho é, passem por lá e desfrutem delas, como desfrutámos todos nós no mágico fim-de-semana de abertura.
O Paulo Monteiro e toda a sua equipa estão mais uma vez de parabéns e o Festival Internacional de BD de Beja comprovou mais uma vez porque é um evento diferente e à parte.
Autógrafos
Daniel Brandão
Luckas Iohanathan
Marco Calhorda e Paulo Fonte
Nuno Saraiva (e Ana Bárbara Pedrosa)
Philippe Girard
Roberto Macedo Alves
Thomas Ott
Zé do Burnay





































































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