A noite que só (não) deixa ver as estrelas
"También
dicen que la conciencia es solo una ilusión creada por nuestro
cerebro."In
Nocturnos
A
noite.
O
contraste entre o
que nos esconde
e o que nos revela, o que nos angústia
ou
nos vai descansar, o que cala em
nós ou
faz despertar.
A
noite em que sonhamos acordados e temos pesadelos a dormir ou - e mal
é quando assim acontece - o contrário, em que a vida é o pesadelo
e o sonho - o abandono, o nada - é que nos satisfaz e realiza.
A noite e as suas criaturas: as que vemos, as que imaginamos, as que sabemos que lá estão e as que re)criamos para nos assustar.
Tudo isto, reflexões entre o óbvio que nunca nos ocorreu e o incómodo que já experimentamos, num largo matiz que está longe de nos iluminar, transmitido, sugerido - subliminarmente… - por uma série de belas imagens, num traço linha clara contraditoriamente sombrio e escuro, mas caracterizado pelo total despojamento, pelo esvaziamento que realça o que mais importa, e que na verdade compõe um desenho bonito, agradável, que pede contemplação, que pede mergulho - mesmo imersão total - que é o que ao mesmo tempo nos atrai e nos faz medo, que nos puxa e nos dá vontade nos afastarmos.
Nocturnos, de Laura Pérez, autora descoberta através das suas pranchas no XXI Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja - e até dia 21 passem por lá para ver essas pranchas - é um daqueles livros a temos de voltar - a que tememos voltar? - uma e outra vez, para nos embrenharmos profundamente, para nos deixamos levar pelas suas páginas ‘como num sonho acordado’, como cantava o sentenciado de Fausto, ou adormecendo nelas, embalados pela desconhecido, pela escuridão, pela repulsiva atração de noite.
É uma coletânea de uns quantos contos, inevitavelmente noturnos, em que situações, personagens, momentos e ideias tanto se confunde como se complementam, fazendo-nos sentir, pensar, desejar...
Há animais que fazem as pontes, há personagens que se parecem embora sejam outras, há situações que conhecemos do dia a dia - ou do noite a noite...?
Acima de tudo, há um ambiente, sensações que, como faz no livro uma das personagens, nos levam a perguntar: "como sabemos que não estamos a sonhar?"
A resposta vem curta e directa: estamos despertos, acordados no escuro, à luz da Lua ou de falsas luas...
...ou pelo menos pensamos que sim
Nocturnos
Laura
Pérez
Astiberri
Espanha,
2024
190
x 260
mm, 192
p., cor, capa dura
21,00
€
(imagens disponibilizadas pela Astiberri; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão; clicar nos textos a cor diferente para saber mais sobre os temas destacados)



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