"...
Em alguns, é a sede de poder, o orgulho, a húbris..."
In
Slava
2 - Os novos russos
Se
o volume inicial
de
Slava
já tinha sido uma agradável surpresa, neste segundo (de três)
Pierre-Henry Gomont consolida
e confirma tudo o que aquele apresentava e eleva-o
a um outro nível.
Fanatismo
religioso, mulheres com hábitos diferentes, um povo com a pele mais
escura... Este intróito parece apontar para a realidade de muitas
localidades atuais da Europa ocidental no entanto, As
raparigas de Salem,
edição recente da Arte de Autor, decorre naquela localidade da
costa nordeste norte-americana, no estado de Massachusetts, no (só)
aparentemente distante final do século XVII.
Tenho
escrito recorrentemente que uma das características das edições
Bonelli é a apreciável qualidade média das suas propostas, quer no
que respeita aos argumentos, quer, especialmente no que respeita ao
desenho. Infelizmente - mas necessário para haver uma regra - há
excepções. A
mais recente, no que às minhas leituras de respeito, foi o Tex
Gigante 40 - Nas montanhas Sierrita,cujo traço de Giuseppe Palumbo chegou a incomodar-me,
tornando de alguma forma difícil, a espaços mesmo penosa, a
leitura.
De forma bem conseguida, a um
tempo ligeira e completa, Fabien Nury continua a narrar-nos a
ascensão e queda de Carlota da Bélgica, imperatriz do México, num
relato superiormente servido pela bela linha clara de Mathieu
Bonhomme - e as belíssimas cores de Delphine Chedru.
Com algum distanciamento, continuo atento à colecção Marvel Must Have, distribuída quinzenalmente aos sábados com os jornais Correio da Manhã e Record que, no seu 13.º volume, propõe o integral de Planeta Hulk, um dos grandes épicos da Marvel deste século.
Numa
altura em que Ulisses,
a
guerra de Tróia e
os
deuses gregos estão de novo na ordem do dia graças ao
filme A
Odisseia,
de
Christopher
Nolan,
surgiu-me como leitura, de
certa
forma por
acaso,
este Le coeur des amazones,
uma
variação interessante daquela
temática.
Na
busca a um tempo nostálgica e interesseira de fazer reviver os
heróis, as editoras têm seguido duas vias: a continuação ad
aeternum das
aventuras por novos criadores ou a aposta nas chamadas ‘versões de
autor’ que dão maior liberdade e abordagens mais interessantes e
desafiadoras. Em
Lucky Luke, as propostas autorais têm sido bem conseguidas, optando
os seus criadores por releituras humorísticas que satirizam a
personagem, os coadjuvantes, as situações típicas e os
estereótipos.
Escrevi há dias sobre renovar, inovar ou dar uma nova roupagem e o
pressuposto aplica-se também a A Little Girl, em que André
Caetano faz a releitura de um conto clássico. Do
Capuchinho Vermelho, mais exactamente, como muitos dos que me
lêem sabem, pois esta edição de autor não é recente, uma vez que
a sua primeira impressão data de 2021 [esta, já a terceira, é de
2025].
Como leitor de (muita) banda
desenhada, penso que ganhei bastante - e adivinho já alguns a
franzirem o sobrolho - por ter incorporado nas minhas leituras
regulares as propostas Bonelli. De Julia a Tex, de Dylan Dog a Martin Mystère, (menos) de Nick Raider a Nathan Never ou de Dragonero a
Zagor (e a outros, todos eles, a diferentes níveis - e intensidades - como que
fazem parte da minha família de leituras e, como ponto de partida ou
de passagem, com amarras certas e seguras, possibilitam que parta
para pranchas de outras abordagens - que alguns classificarão como
mais adultas e/ou exigentes.
A
mítica palavra acima, com ou sem as reticências, ou consagrada com
parêntesis no título da mítica revista - (à
Suivre)
- fez
sonhar sucessivas gerações de leitores que, assumindo pontual
e
ilusoriamente o papel de autores, imaginaram fantásticas
continuações para as aventuras dos seus heróis favoritos - ou não…
- quebradas abruptamente nas páginas das revistas à espera da
semana ou do mês seguintes.
A
Colecção Integral Astérix está de volta. Pela terceira?
quarta? Quinta vez? Para o bem e para o mal. Para
o mal, porque haveria com certeza outras colecções semelhantes que
os leitores portugueses generalistas - e é a eles que a colecção
se dirige primeiramente - ainda não tiveram oportunidade de fazer. Para
o bem, porque é sinal que a BD - Astérix, muito particularmente -
continua a vender.