As
gerações portuguesas dos leitores de BD dos anos 1980 e 1990 foram
especialmente marcadas pelos super-heróis, lidos nas pequenas
revistas brasileiras que chegavam (ir)regularmente aos quiosques
nacionais. As
cronologias cada vez mais complicadas e ramificadas das histórias da
DC Comics e da Marvel, com sucessivas mortes e ressurreições e
múltiplos universos, levaram muitos deles a afastar-se - e ao mesmo
tempo impediram a aproximação daqueles que se sentiam atraídos
através das versões animadas ou com actores reais.
Se
há algo que se pode apontar à banda desenhada nos últimos anos -
na verdade já algumas décadas, mas de forma mais vincada em tempos
recentes, em especial no nosso mercado - é um ganho de consciência
social.
E
já está. Depois do diálogo originado pela meu texto sobre Tex
655/20 - A cavalgada do destino, lá
fui à procura de Jonah Hex, um western
que era uma lacuna nas minhas
leituras de um género que aprecio bastante, como bem sabem os que me
seguem por aqui. Não
sei se foi a melhor porta de entrada - mas foi uma das edições que
me foi sugerida e a verdade é que gostei bastante de Le colt de
la vengeance.
Há
obras intemporais, que a cada releitura revelam novos aspectos,
enquanto, em simultâneo, mantêm a actualidade e a frescura de
quando foram criadas. É o caso de O grande
poder do Chninkel, publicada originalmente na revista (À
Suivre), em 1988, o que permitiu libertar-se do espartilho das 48
páginas do formato tradicional franco-belga e ser um romance gráfico
antes do tempo, que a Arte de Autor finalmente edita em português no
preto e branco em que foi concebida por Jean Van Hamme e Grzegorz
Rosinski, os autores de Thorgal.
Tenho
lido (ir)regularmente
os livros da colecção BDPALOP - e ainda tenho alguns por ler - mas
até ao momento este foi o que me pareceu
mais consistente.
Giovanni
Drogo é um jovem oficial, apostado em seguir a carreira militar e
cobrir-se de glória no campo de batalha, mas as suas aspirações
parecem coartadas quando é colocado na inóspita
Fortaleza Bastiani. Entusiasmado de início, pela proximidade da
fronteira com um reino inimigo, sente-se rapidamente desiludido pela
degradação do fortim e pela incúria e falta de disciplina e de
postura de soldados e oficiais lá colocados, surgindo um pedido de
transferência urgente como a solução.
No glorioso tempo das revistas de banda desenhada, em que os autores se conheciam bem e se encontravam regularmente, acontecia que também por vezes as suas personagens se cruzavam nas páginas desenhadas.
Continuando
a ressuscitar - mais figurada que literalmente - personagens
marcantes da longa cronologia das aventuras de Tex Willer, Mauro
Boselli desta vez leva-nos de novo ao encontro do Tigre Negro, aqui
na sua quarta aparição na série, algo que poucos - ou mais nenhum?
- dos adversários de Tex se podem gabar, com excepção talvez de
Mefisto.
Não
sei se Chabouté conhece - mas duvido… - o célebre slogan
acima, criado pelo Turismo de Portugal já lá vão mais de 30
anos, mas Partir, ficando é a sua ilustração perfeita,
levando o conceito a um minimalismo que pode ser considerado absurdo
mas que deverá servir para que - literalmente - abramos os olhos.