A
tempestade perfeita
De forma bem conseguida, a um
tempo ligeira e completa, Fabien Nury continua a narrar-nos a
ascensão e queda de Carlota da Bélgica, imperatriz do México, num
relato superiormente servido pela bela linha clara de Mathieu
Bonhomme - e as belíssimas cores de Delphine Chedru.
Libri Impressi (Manuel Caldas)
Toda a (in)justiça do mundo
Com algum distanciamento, continuo atento à colecção Marvel Must Have, distribuída quinzenalmente aos sábados com os jornais Correio da Manhã e Record que, no seu 13.º volume, propõe o integral de Planeta Hulk, um dos grandes épicos da Marvel deste século.
Tradição
ou paixão
Numa
altura em que Ulisses,
a
guerra de Tróia e
os
deuses gregos estão de novo na ordem do dia graças ao
filme A
Odisseia,
de
Christopher
Nolan,
surgiu-me como leitura, de
certa
forma por
acaso,
este Le coeur des amazones,
uma
variação interessante daquela
temática.
O
peso de ser um herói solitário
Na
busca a um tempo nostálgica e interesseira de fazer reviver os
heróis, as editoras têm seguido duas vias: a continuação ad
aeternum das
aventuras por novos criadores ou a aposta nas chamadas ‘versões de
autor’ que dão maior liberdade e abordagens mais interessantes e
desafiadoras.
Em
Lucky Luke, as propostas autorais têm sido bem conseguidas, optando
os seus criadores por releituras humorísticas que satirizam a
personagem, os coadjuvantes, as situações típicas e os
estereótipos.
Danças... com lobos
Escrevi há dias sobre renovar, inovar ou dar uma nova roupagem e o
pressuposto aplica-se também a A Little Girl, em que André
Caetano faz a releitura de um conto clássico.
Do
Capuchinho Vermelho, mais exactamente, como muitos dos que me
lêem sabem, pois esta edição de autor não é recente, uma vez que
a sua primeira impressão data de 2021 [esta, já a terceira, é de
2025].
Familiar, mas...
Como leitor de (muita) banda
desenhada, penso que ganhei bastante - e adivinho já alguns a
franzirem o sobrolho - por ter incorporado nas minhas leituras
regulares as propostas Bonelli. De Julia a Tex, de Dylan Dog a Martin Mystère, (menos) de Nick Raider a Nathan Never ou de Dragonero a
Zagor (e a outros, todos eles, a diferentes níveis - e intensidades - como que
fazem parte da minha família de leituras e, como ponto de partida ou
de passagem, com amarras certas e seguras, possibilitam que parta
para pranchas de outras abordagens - que alguns classificarão como
mais adultas e/ou exigentes.
Continua...
A
mítica palavra acima, com ou sem as reticências, ou consagrada com
parêntesis no título da mítica revista - (à
Suivre)
- fez
sonhar sucessivas gerações de leitores que, assumindo pontual
e
ilusoriamente o papel de autores, imaginaram fantásticas
continuações para as aventuras dos seus heróis favoritos - ou não…
- quebradas abruptamente nas páginas das revistas à espera da
semana ou do mês seguintes.
Começar
mal… outra
vez
A
Colecção Integral Astérix está de volta. Pela terceira?
quarta? Quinta vez? Para o bem e para o mal.
Para
o mal, porque haveria com certeza outras colecções semelhantes que
os leitores portugueses generalistas - e é a eles que a colecção
se dirige primeiramente - ainda não tiveram oportunidade de fazer.
Para
o bem, porque é sinal que a BD - Astérix, muito particularmente -
continua a vender.
Pura nostalgia
Thorgal
é sem qualquer dúvida uma das séries de BD da minha vida.
Descobri-o,
deslumbrado, no Mundo de Aventuras; (re)li-o aos soluços em edições
de vária proveniência: Bertrand, VHS, Futura...; ganhei absoluta
consciência da sua importância e qualidade ao ler de seguida uma
vintena de álbuns em francês; acompanhei-o, depois, mais
intermitentemente do que desejava, até ao fim do ciclo de Van Hamme,
um pouco mais até, com um Sente desinspirado - como quase sempre,
vinco… - que me levou aos poucos a deixar uma série que combinava
de forma perfeita passado e futuro, aventura e ficção científica,
um realismo e sobrenatural.
Recontar
de forma bela e misteriosa
Peço
emprestada a Sophia de Mello Breyner Andresen uma frase emblemática
de O
Cavaleiro da Dinamarca:
“(…)
as histórias tantas vezes ouvidas pareciam cada ano mais belas e
mais misteriosas (...)”
E
é isto que a BD tem feito, muitas vezes, nos últimos anos: pegar em
histórias ‘tantas
vezes ouvidas’,
dar-lhes uma roupagem diferente, apropriada à linguagem dos
quadradinhos que as recontam, e torná-las ‘mais belas e
misteriosas’.