Defender
aquilo em que se acredita, seja em banda desenhada, romance, série
de televisão ou filme, é algo extremamente difícil. Por um lado é
necessário assumir um tom claramente subjetivo, mesmo que apoiado
por factos, mas por outro há que evitar o tom panfletário, os
excessos e os extremismos que desinteressem o leitor não convertido. A
nossa voz! consegue-o.
Quinto volume da colecção Marvel Must Have, distribuída quinzenalmente aos sábado com os jornais Correio da Manhã e Record,O Velho Logan foi um dos títulos Marvel que mais me surpreendeu, tanto pela sua força visual, quanto pela violência visceral do relato.
Sangoma,
edição recente da Arte de Autor, é uma história de tom policial
que decorre na África do Sul pós-Apartheid, embora, na prática,
ele só exista no papel porque, no terreno, seja nos bairros de lata
dos subúrbios, nas enormes fazendas dos brancos que os negros
reclamam ou no próprio parlamento, a segregação continua presente
os ódios ancestrais não se atenuaram, as feridas não sararam e
qualquer pretexto fá-las reabrir. E, entre os posicionamento
extremistas e radicais de um e outro lado, é difícil encontrar uma
posição intermédia e equilibrada.
Volta e meia dou por mim a
pensar o que leva autores de créditos firmados, obra feita e
carreira longa a retomarem séries antigas, nalguns casos datadas e
que até nem são especialmente marcantes ou
originais. A
pergunta é retórica, eu sei e a resposta é simples: alimentar a
nostalgia de gerações e garantir - tanto quanto isso é possível -
vendas (no mínimo) interessantes. Um
dos exemplos mais recentes - mesmo assim já quase com um ano - é
este Ray Ringo.
Como
pai, assusta-me pensar que aquilo que é narrado neste livro é
verdade. Aliás, a primeira impressão que um potencial leitor tem,
antes de o abrir e começar a ler, é que houve um erro na capa do
livro e o título deveria ser O
O Guia do MEU
pai.
Mas não, a proposta da Devir para o dia do progenitor que passou
há dias é
mesmo O
Guia do mau pai,
de Guy Delisle, pai de duas crianças em idade de escolaridade básica
que, num registo auto-biográfico com muito de irónico, ele trata
com um misto de afecto, impaciência e preguiça.
Estive,
a convite da organização, no passado fim-de-semana, na 4.ª
edição do LouriBD - Festival de Banda Desenhada da Lourinhã,
organizado pela editora Escorpião Azul e a edilidade local.
Já
a seguir, algumas notas e impressões de dois dias bem passados.
Já
a seguir, algumas notas e impressões de dois dias bem passados.
Se muitas vezes tenho
expectativas criadas ou
informação fundamentada sobre os livros em que pego, no caso deste
Longe mergulhei
- expressão plenamente adequada… - às escuras.