Quase
dois anos depois, está finalmente completa a adaptação em BD que
Milo Manara fez do romance O
Nome da Rosa,
de Umberto Eco e que a Gradiva editou em português. O
original é célebre, o filme contribuiu para o conhecimento da
história, por isso a curiosidade em torno da sua passagem para banda
desenhada consistia essencialmente em ver como conseguiria Manara
contar por imagens um texto denso, para mais passado num espaço
relativamente fechado, uma abadia beneditina.
Defender
aquilo em que se acredita, seja em banda desenhada, romance, série
de televisão ou filme, é algo extremamente difícil. Por um lado é
necessário assumir um tom claramente subjetivo, mesmo que apoiado
por factos, mas por outro há que evitar o tom panfletário, os
excessos e os extremismos que desinteressem o leitor não convertido. A
nossa voz! consegue-o.
Quinto volume da colecção Marvel Must Have, distribuída quinzenalmente aos sábado com os jornais Correio da Manhã e Record,O Velho Logan foi um dos títulos Marvel que mais me surpreendeu, tanto pela sua força visual, quanto pela violência visceral do relato.
Sangoma,
edição recente da Arte de Autor, é uma história de tom policial
que decorre na África do Sul pós-Apartheid, embora, na prática,
ele só exista no papel porque, no terreno, seja nos bairros de lata
dos subúrbios, nas enormes fazendas dos brancos que os negros
reclamam ou no próprio parlamento, a segregação continua presente
os ódios ancestrais não se atenuaram, as feridas não sararam e
qualquer pretexto fá-las reabrir. E, entre os posicionamento
extremistas e radicais de um e outro lado, é difícil encontrar uma
posição intermédia e equilibrada.
Volta e meia dou por mim a
pensar o que leva autores de créditos firmados, obra feita e
carreira longa a retomarem séries antigas, nalguns casos datadas e
que até nem são especialmente marcantes ou
originais. A
pergunta é retórica, eu sei e a resposta é simples: alimentar a
nostalgia de gerações e garantir - tanto quanto isso é possível -
vendas (no mínimo) interessantes. Um
dos exemplos mais recentes - mesmo assim já quase com um ano - é
este Ray Ringo.
Como
pai, assusta-me pensar que aquilo que é narrado neste livro é
verdade. Aliás, a primeira impressão que um potencial leitor tem,
antes de o abrir e começar a ler, é que houve um erro na capa do
livro e o título deveria ser O
O Guia do MEU
pai.
Mas não, a proposta da Devir para o dia do progenitor que passou
há dias é
mesmo O
Guia do mau pai,
de Guy Delisle, pai de duas crianças em idade de escolaridade básica
que, num registo auto-biográfico com muito de irónico, ele trata
com um misto de afecto, impaciência e preguiça.