Apreciador
assumido da linha clara, deixei que os olhos desfrutassem com o
grafismo deste álbum, sobre o qual não tinha quaisquer indicações,
atraído que fui de imediato por uma planificação com vinhetas de
dimensões generosas e páginas duplas e pelo traço grosso e limpo de Philippe Girard.
Costuma
dizer-se que o importante não é a história, mas sim a forma como
ela é contada. E quando o(s) autor(es) conseguem contá-la bem, o
tema não importa, os leitores são seduzidos até por aquees a que
são indiferentes. É
o caso de Carlota
Imperatriz,
primeiro de dois volumes com a edição integral da biografia de
Carlota da Bélgica, assinada por Fabien Nury e Matthieu Bonhomme,
que a Ala dos Livros lançou recentemente e promete acabar no segundo
semestre.
Quase
dois anos depois, está finalmente completa a adaptação em BD que
Milo Manara fez do romance O
Nome da Rosa,
de Umberto Eco e que a Gradiva editou em português. O
original é célebre, o filme contribuiu para o conhecimento da
história, por isso a curiosidade em torno da sua passagem para banda
desenhada consistia essencialmente em ver como conseguiria Manara
contar por imagens um texto denso, para mais passado num espaço
relativamente fechado, uma abadia beneditina.
Defender
aquilo em que se acredita, seja em banda desenhada, romance, série
de televisão ou filme, é algo extremamente difícil. Por um lado é
necessário assumir um tom claramente subjetivo, mesmo que apoiado
por factos, mas por outro há que evitar o tom panfletário, os
excessos e os extremismos que desinteressem o leitor não convertido. A
nossa voz! consegue-o.
Quinto volume da colecção Marvel Must Have, distribuída quinzenalmente aos sábado com os jornais Correio da Manhã e Record,O Velho Logan foi um dos títulos Marvel que mais me surpreendeu, tanto pela sua força visual, quanto pela violência visceral do relato.
Sangoma,
edição recente da Arte de Autor, é uma história de tom policial
que decorre na África do Sul pós-Apartheid, embora, na prática,
ele só exista no papel porque, no terreno, seja nos bairros de lata
dos subúrbios, nas enormes fazendas dos brancos que os negros
reclamam ou no próprio parlamento, a segregação continua presente
os ódios ancestrais não se atenuaram, as feridas não sararam e
qualquer pretexto fá-las reabrir. E, entre os posicionamento
extremistas e radicais de um e outro lado, é difícil encontrar uma
posição intermédia e equilibrada.