Autêntica
instituição, no melhor sentido da palavra, Dylan Dog continua a ser
capaz de surpreender - e de fazer pensar… - número após número.
A temática pode ser fantástica ou pode basear-se na mais pura
atualidade, como é o caso de O terror, uma narrativa
com data de 2017 - mas não datada.
Por
vezes, o principal na leitura não é a intriga intrínseca em si,
mas sim questões acessórias que lhe estão associadas. E que tanto
podem servir para valorizar a narrativa como serem o sustentáculo
para ela.
Grande
apreciador do western - como sabem aqueles que me acompanham
neste espaço - tenho em Tex uma das minhas leituras
recorrentes. Para o melhor e para o pior.
Não
é a primeira vez que uma história de Tex tem base histórica, longe
disso, mas, na minha leitura, este foi um dos relatos do ranger em
que o peso dos factos históricos mais se fez notar e o tornou mais
consistente e contido.
Penso
que todos aqueles que leram na idade certa banda desenhada de
aventuras,
com heróis fixos -
franco-belga, Bonelli, super-heróis... - sonharam um dia com um
encontro entre (alguns d)eles.
Podendo
não parecer, conseguir num mesmo relato equilibrar o lado emocional,
o sentimental, uma investigação policial e até a aventura, é algo
extremamente difícil de conseguir para conseguir satisfazer os
diferentes leitores que procuram especificamente um ou outro dos
aspectos referidos. Giancarlo
Berardi, com Lorenzo Calza, consegue-o mais uma vez neste Júlia:
A chantagem do passado.
Não
é a primeira vez nem a abordagem mais original que conheço dentro
do género, mas a verdade é que esta Graphic
Horror Novel,que
tem a BD como suporte narrativo e tema de fundo, constituiu uma bela
leitura.
Foi
uma sensação brusca e incómoda: durante a leitura deste Tex
Gigante, senti a história
estava partida a meio e que as duas partes (quase) faziam sentido em
separado.
Para
(leitores)
coleccionadores - para aqueles que em determinado momento das suas
vidas, geralmente n(o
final d)a
infância e adolescência (e
por aí fora),
colecciona(ra)m revistas de banda desenhada - há momentos -
editoriais - que fazem História e poder acompanhá-los - mesmo que a
alguma distância temporal
(na
verdade isto aconteceu há meses...)-
proporciona experiências que são inexplicáveis para quem nunca as
vivenciou. É
o que acontece - duplamente - com estas edições de Tex
que
hoje aqui trago -primeiras
de muitas, desejam os seguidores do ranger.
Há
leituras que faço e acabam por não passar por aqui. Falta de tempo, de
inspiração ou simples indolência deixam quem visita este blog
privado de apontamentos de leitura que - acredito - podiam ser
úteis. De
forma breve, registo de seguida três leituras (mais ou menos)
recentes que sofreram do descrito acima. Para além disso, porquê
juntá-las? Porque cada uma, à sua maneira, espelha e afirma o
melhor da banda desenhada dita popular.
Há
algum tempo ausente aqui do blog - mas não das minhas leituras, mas
porque outras escritas se têm imposto - Tex regressa hoje, num
díptico com alguns aspectos curiosos.
Demasiada
proximidade de uma personagem de ficção - no caso de banda
desenhada - tem um risco:
perdermos (alguma) noção da realidade e deixarmos
que ela, de alguma forma, entre na nossa vida e
se torne quase parte
da
nossa família. Risco
que se revela
acrescido, quando começamos a fantasiar (com)
situações
da
vida delas E que
a nossa, de leitores empedernidos,
já nos ensinou serem
irrealizáveis.
Nas
histórias de Julia Kendall, é normal que ela partilhe o
protagonismo com os criminosos que acabará por investigar. Menos
normal, penso eu - confesso que não fui verificar - é que lhes
entregue completamente a boca de cena, deixando-se ficar no fundo,
quase na sombra. Escrito
de outra forma, nas duas histórias deste volume, Julia apenas
aparece em 40 das 126 pranchas de A
gangue e
em 35 do segundo relato, O
quarto de pânico.
Grosso
modo - com todos os perigos e inconvenientes das generalizações - podemos dividir os relatos policiais fundamentalmente em dois tipos: os
dedutivos e os de acção; de comum a todos haverá sempre - deverá
haver? - uma surpresa final que mostre ao leitor como leu quase toda
a história enganado...
Western
puro
e duro que ao longo dos anos foi sabendo adaptar-se às mudanças
impostas pelos (re)nov(ad)os tempos,
Tex
tem tido pontualmente - e desde sempre - alguns desvios aos seus
princípios basilares e mesmo à sua essência.
Uma
capa pode dizer tanto ou tão pouco - mas ser igualmente
(des)interessante. Esta
reflexão, surgida a propósito dos dois últimos inquéritos de
Dylan Dog que li - este e O
número 200,
que A Seita editou entre nós há pouco - pode não passar de uma
verdade de
La Palisse,
mas a verdade é que a capa de um livro é a sua primeira porta de
entrada e tanto pode seduzir o leitor como afastá-lo de imediato. Independentemente
disso, esta edição confirmou a genialidade permanente (ou quase)
que sempre rodeia Dylan Dog.
Começo
o ano - analítico… - com uma das minhas últimas leituras de 2021
e uma das minhas paixões - tranquilas… - da última década e
meia: J.
Kendall,
aliás Julia
- ou Júlia
na nova vida da criminóloga no Brasil - a criação de Giancarlo
Berardi. Desta
vez, trago-a
- mais uma (de muitas) vez(es) - a este espaço, devido
à inovação presente na segunda das narrativas, em que o caso
começa com
uma premissa bem original.
Esta
edição, de certa forma marca, o regresso de Júlia (ex-J. Kendall…)
ao Brasil. Um
regresso de corpo inteiro, apetece vincar, mas um regresso, sem
quebras, na continuidade.
Por
vezes, quando abrimos um álbum ou (cada vez menos…) uma revista
de BD, esquecemos todo o trabalho editorial que esteve por detrás do
que nos chega às mãos, quase nos parecendo que ela surgiu de
geração espontânea ou por
obra
de um qualquer génio - e alguns até o são, mas…