Costuma
dizer-se que o importante não é a história, mas sim a forma como
ela é contada. E quando o(s) autor(es) conseguem contá-la bem, o
tema não importa, os leitores são seduzidos até por aquees a que
são indiferentes. É
o caso de Carlota
Imperatriz,
primeiro de dois volumes com a edição integral da biografia de
Carlota da Bélgica, assinada por Fabien Nury e Matthieu Bonhomme,
que a Ala dos Livros lançou recentemente e promete acabar no segundo
semestre.
Se muitas vezes tenho
expectativas criadas ou
informação fundamentada sobre os livros em que pego, no caso deste
Longe mergulhei
- expressão plenamente adequada… - às escuras.
Desconfio
sempre que me tentam vender obras obscuras de grandes autores como
obras-primas [e não estou
a acusar disso a Ala dos Livros, estou
a referi-lo genericamente].
Porque,
naturalmente, se fossem realmente obras-primas, não seriam obras
obscuras... Mas...
Os
tempos mudam (dizem alguns...), a tecnologia atinge um nível que há
poucos anos era inimaginável, assistimos a avanços em diversas
áreas mas... o ser humano continua igual. Fanatismo
religioso (e político), intolerância, ignorância, desrespeito pela
opinião dos outros são temas actuais que, no entanto, não diferem
assim tanto dos que imperavam há 100 ou 200 anos. É pelo menos o
que depreendemos da muito aconselhável leitura de Undertaker
8 - O mundo segundo Oz,
edição recente da Ala dos Livros que fecha (?)no quarto díptico (com um final suficientemente aberto para o transformar num tríptico?) de um
dos melhores westerns
que a BD conheceu, iniciado em Mister Prairie.
As
editoras e, de forma incontornável, os autores também, gostam de
sequelas, prequelas e relatos paralelos de séries de sucesso.
Garantem mais vendas, mais lucros, mais mediatismo Por
outro lado, os leitores também gosta de sequelas, prequelas e
relatos paralelos das séries que mais apreciam. Permitem-lhes
conhecer o passado, antever
o futuro, conhecer a origem ou o fim das personagens que admiram. O
seu sucesso é quase sempre certo, muitas vezes até independente da
inspiração dos seus criadores, sejam eles os mesmos ou outros.
Peças,
já nas livrarias em edição portuguesa da Ala os Livros, é uma
analogia entre o jogo de xadrez e a vida, a um tempo desafiadora e
provocadora, que, se por um lado nos reduz à nossa insignificância,
por outro nos mostra como todos somos relevantes como integrantes de
uma realidade maior, mesmo que poucos de nós cheguemos a ser 'reis'
ou 'rainhas'.
Com
a guerra franco-britânica no território do Canadá como pano de
fundo e os belos cenários naturais da região a brilharem graças ao
trabalho da aguarelas de Patrick Prugne, tal como já acontecia em Pocahontas, Tomahawk é um relato cujo enredo surpreende mais do que uma vez.
Acontecimento
traumático e ainda demasiado envolto em secretismo, a guerra
colonial que tantas vítimas fez e tantas marcas deixou, a nível
individual e colectivo, no nosso país, necessita de ser falada,
evocada e discutida como forma de catarse e para ajudar a curar
algumas feridas.
Estreia
em álbum dos portugueses Pedro Nascimento e Manuel Monteiro, Tales
from Nevermore
é uma edição surpreendente no panorama português.Pela
estreia em si, claro, mas também porque o belo e cuidado objecto
livro proposto pela Ala dos Livros, explora um género que a BD
portuguesa pouco tem visitado, o horror.
Faltam
páginas, que é como quem escreve que sabem a pouco as 40 e tal
pranchas que nos servem Lamontagne e Gloris, no terceiro tomo de Wild
West, Escalpes em série.
Terra.
Futuro indefinido. Com o planeta ameaçado por um enorme asteróide
que se dirige para ele, a solução possível é enviar ao
seu encontro
uma nave não tripulada carregada de explosivos
para o destruir.