As Leituras do Pedro desejam a todos os que passam por aqui, um Feliz Natal, na companhia dos que mais amam, pleno de paz, saúde e harmonia, uma boa refeição (!) e todos os livros que desejam!
(clicar na imagem para a aproveitar em toda a sua extensão)
Um
homem e uma criança empurram com dificuldade um carrinho de
supermercado ao longo de uma estrada. São pai e filho, como
descobrimos rapidamente, mas a condição que sem-abrigo que
intuíamos para eles revela-se errada. São sobreviventes de uma
catástrofe
que reduziu a humanidade a pouco mais do que à selvajaria animal e
que nunca é explicada e seguem passo após passo em busca da ilusão
de um local melhor para viver.
‘Quem ler o teu relatório, tem de perceber e de perdoar’
In O Relatório de Brodeck
Acabo de reler - agora em português, quem o julgaria possível há
meia dúzia de anos…? - esta obra.
Mais uma vez, sinto-me subjugado, embrutecido, emocionalmente
abalroado, sem palavras, perante a violência visceral do relato -
mais íntima do que física, embora ela também lá esteja - e
perante a beleza agreste e brutal do traço.
Que escrever? Que é uma das grandes bandas desenhadas que já li na
vida. E rogar por favor que a leiam.
Entro a matar: muito se tem falado do
desenho de Larcenet nesta obra, geralmente de forma depreciativa. Há
um quesito muitas vezes esquecido, que em BD é sempre verdade: o bom
desenho, é aquele que conta bem uma história. Em O
Combate Quotidiano,
o desenho de Larcenet conta admiravelmente
a história. E
que história! Uma história de vida.