06/11/2023

Turma da Mônica: meia dúzia de títulos

Passado, presente, futuro e os outros


Reflexo, apesar de tudo pálido, da exuberância editorial da Turma da Mônica no Brasil, neste momento é possível encontrar em (algumas) bancas e quiosques  nacionais - e também no site da Panini portuguesa) diferentes publicações que espelham várias fases da produção de Maurício de Sousa e do seu estúdio e a diversidade das suas propostas.

Começo no presente - de há seis meses, hiato de tempo que geralmente passa entre o lançamento no Brasil e a distribuição em Portugal - e em modo de comemoração com a Magali #27 (Panini, Brasil, 03/2023) que, alternativamente, também podemos designar como Magali #600, se forem consideradas todas as revistas protagonizadas por ela em nome próprio, editadas desde 1989, pela Globo e a Panini. Com a redução para 48 páginas devido à passagem a quinzenal, que torna exagerado (para quem só quer ler BD…) o número de páginas de passatempos e publicidade, a narrativa 600 vezes Magali acaba por ocupar quase toda a edição. Leitura revista e muito livre de O Capuchinho Vermelho, com algumas ideias divertidas e a habitual ironia para com o próprio universo, leva a maior comilona da Turma da Mônica a assumir, ao longo dos capítulos que a compõem, a personalidade de algumas das personagens dos heróis imaginados por Maurício, como Piteco, Chico Bento, a própria Mônica ou até o Bidu.


Sobre este segmento já escrevi aqui, mas a leitura deste segundo volume de As Melhores Tiras da Turma da Mônica #2 (Panini, Brasil, 2023) confirma que, sendo indiscutivelmente passado - pela data de publicação original e, infelizmente, porque a realidade mudou - estas são possivelmente as criações mais genuinamente sinceras e livres de Maurício de Sousa, fruto da ‘rebeldia’ da juventude do autor e reflexo de outros tempos e todos percebemos que tiras como as que mostro a seguir seriam hoje impossíveis...




Quanto ao futuro, ele acaba por ser também (já) presente porque embora mostrem versões alternativas futuras da Turma, quer a Geração 12 #1/#3 Ecos do amanhã (Panini, Brasil, 12/2022, quer a Turma da Mônica Jovem #17 (Panini, Brasil, 12/2022) são criações actuais.

A primeira, com os heróis na casa dos 12 anos - o que justifica o título - ou seja, no início da adolescência, na entrada na segunda temporada mantém o tom fantástico e de ficção-científica que já balizava as seis edições da primeira temporada. Estudantes no Instituto Astro de Exploração Espacial, numa das luas de Júpiter, Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali e Milena - com alguns outros coadjuvantes da turma - depois da missão em Europa em que adquiriram alguns poderes e descobriram a verdadeira essência do coelhinho Sansão, estão de regresso ao Brasil com o objectivo de combaterem os desequilíbrios no ecossistema mas, para isso, terão de descobrir a origem de estranhos fenómenos que estão a ter lugar. Assumidamente manga, em formato, estilo, temática e tipo de narrativa, Geração 12 tem tudo para agradar aos leitores do segmento a que se destina.


Quanto à TMJ, já bem estruturada e consistente graças às quase duas centenas de edições já lançadas, com temática mais adulta, mostra os titulares próximos da saída da adolescência, sendo outras as questões - relacionamentos, morte, carreira… - abordadas. As Tretas de Coração - exactamente assim… - são a temática base da história principal que se prolongapor esta e mais três edições, que é complementada com narrativas curtas auto-conclusivas, todas centradas em questões de relacionamento, da própria atracção aos diversos problemas que as relações comportam. A título de curiosidade, fica a nota que a edição #18 traz de oferta a caixa para embalar este arco quádruplo.


Quanto aos outros referidos no sub-título, cabem neles As Grandes Paródias da Turma da Mônica #1 - Avaturma (Panini, Brasil, 11/2022), uma sátira divertida potenciada pela utilização de metalinguagem e pela forma como consegue adaptar às personagens as características específicas do filme Avatar.

A segunda é mais uma Graphic MSP - que em bom tempo passaram a ter distribuição em Portugal - Mingau (Panini, Brasil, 12/2022), de Ana Cardoso, naturalmente dedicada e protagonizada pelo gato da Magali. A exemplo do que já acontecia com Bidu - Caminhos, o relato é feito do ponto de vista do protagonista, o que justifica a ausência de texto em muitas sequências e assenta na sua natureza felina, da qual a autora demonstra um profundo conhecimento. E, a exemplo do que já acontecia com Denise - Arraso, pela simplicidade narrativa e temática - o desaparecimento de Mingau e as respectivas consequências, para ele próprio, a Magali e quem o recolhe - parece-me direccionada para uma faixa etária mais jovem, embora tenha tudo para seduzir os que vivem com a companhia de gatos - e mesmo de cães!


(imagens disponibilizadas pela Panini Comics; clicar nelas aproveitar em toda a sua extensão; clicar nos textos a cor diferente para saber mais sobre os temas destacados)

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