Depois
da 'biografia' de Henri Vaillant, confesso que me aproximei reticente
deste nova incursão no passado de Michel Vaillant, no caso no âmbito
da colecção Corridas Lendárias, evocando o Grande Prémio
do Mónaco de 1971.
Contar
a biografia de alguém é sempre complicado: é necessário narrar
algo de novo se se trata de alguém muito mediático ou, no mínimo,
estruturar de forma atraente essa a realidade já conhecida; por
outro lado, é necessário ser capaz de cativar até aqueles que, à
partida, não têm especial interesse pelo biografado.
A organização do Maia BD, que decorre de hoje até domingo, no Fórum da Maia, já disponibilizou - e muito bem! - os horários das sessões de autógrafos. Eu vou lá estar 'oficialmente' sábado e domingo, das 15h ás 17h, para autografar o meu livro As Leituras do Pedro - 40 Anos de Boas Leituras (Escorpião Azul, 2025), ou em qualquer horário e local em que me encontrem por lá! Conto convosco, porque o Maia BD 2026 tem muito mais do que isto.
Três
irmãs,
é exemplo daquilo que podemos esperar hoje no nosso país: edições
improváveis, de criadores desconhecidos, mas que têm algo para nos
dizer. Integrada na colecção
Busztyn, que é como quem diz Âmbar, em polaco, que A
Seita criou para trazer “para Portugal o melhor da banda desenhada
polaca contemporânea”, tem autoria de Anna Poszepczyńska
e valeu à autora o Orienty Men Award, atribuído pelo
Festival de Comics de Varsóvia.
Escrevo
estas linhas conscientemente: não
consigo pensar em
mais
nenhum autor que, como
Zidrou,
seja capaz de transmitir
tão bem emoções, combinando
de forma adequada e equilibrada humor
e ternura. É um autor que consegue emocionar-nos, ao mesmo tempo que
nos faz sorrir, que junta a lágrima com a gargalhada e,
finalizada
a leitura, nos deixa de bem com a vida, connosco próprios e até com
os outros.
Sossegado
pelo facto de a última gravidez cá em casa ter mais de 20 anos,
evitando assim o risco de depressão perante a realidade exposta
neste livro, entrei de forma livre e mente aberta na leitura de Mãe
e Peras (leia-se ‘pêras’).
“Deve
ser penoso escrever centenas e centenas de páginas quando já se
sabe o nome do culpado!”
A afirmação, dita por um empregado de café ao homem que todas as
tardes vem para o estabelecimento escrever romances sentimentais,
ecoa após a conclusão da primeira das narrativas que compõem
Amore,
uma co-edição Arte de Autor/A Seita.
O Maia BD decorre de 23 a 26 de Maio, mais uma vez no Fórum da Maia e o que se destaca para já é o belo lote de convidados, entre os quais muitos autores estrangeiros, numa clara aposta no crescimento de um certame situado a Norte mas que parece querer afirmar-se a nível nacional. Os nomes estão já a seguir.
Seduzido
por uma bela capa e pelas (muitas e) boas referências que tinha lido
sobre a obra, avancei por impulso para Parker Girls.
Foi uma entrada auspiciosa no universo criado por Terry Moore.
Mais
de 50 anos após o 25 de Abril de 1974, a banda desenhada nacional
continua a desaproveitar o que se viveu em Portugal durante a
ditadura - e mesmo durante os primeiros e conturbados anos após a
Revolução dos Cravos. Há alguns exemplos é verdade mas poucos
tendo em conta o enorme potencial da temática, quer ficcionalmente,
quer do ponto de vista histórico.
A Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB) informa que se encontram abertas, de 27 de Abril a 27 de Maio de 2026, as candidaturas ao Prémio Nacional de Banda Desenhada.
Criado
na década de 1960 pelo escritor britânico Michael Moorcock , Elric
é uma saga de espada e feitiçaria que, apesar do sucesso atingido,
nunca teve a devida atenção da TV ou do cinema, possivelmente pelos
altos custos envolvidos na criação de um mundo a um tempo rude e
majestoso.
Gerry
Conway - o 'homem que matou Gwen Stacy' - faleceu dia 27 de Abril, contava 73 anos de idade. A notícia foi
avançada pela Marvel Comics, onde o argumentista fez boa parte da
sua carreira profissional como argumentista de banda desenhada.
Passei
pelo Convento São Francisco, mais uma vez sede do Coimbra BD, no
sábado e o mínimo que posso dizer é que passei bem. Entre
a apresentação do meu livro, autógrafos próprios e de outros,
reencontro com amigos e conhecidos e conversas animadas, trouxe boas
recordações de um festival que deu um passo em frente.
Autêntica
instituição, no melhor sentido da palavra, Dylan Dog continua a ser
capaz de surpreender - e de fazer pensar… - número após número.
A temática pode ser fantástica ou pode basear-se na mais pura
atualidade, como é o caso de O terror, uma narrativa
com data de 2017 - mas não datada.
Tenho
para mim que há duas formas de julgar uma adaptação: pela sua
fidelidade à obra original e pela sua validade no novo suporte. Isto
aplica-se do mesmo modo quando um romance passa ao ecrã ou a banda
desenhada mas também, no sentido inverso, quando uma banda desenhada
passa ao ecrã, seja ele televisivo ou cinematográfico.
Tal
como existe comida de conforto - a das nossas mães, das nossas avós
à cabeça… - existe leitura de conforto, aquelas que nos deixam de
bem com a vida, a acreditar nos homens, a crer em utopias e na
vitória dos sonhos sobre ’o que tem de ser’. Ulysse
& Cyrano,
mais uma obra justamente emoldurada com vários prémios, que a ASA
disponibilizou
em português logo
em Janeiro é
mais um exemplo disso. Saboroso.
Apreciador
assumido da linha clara, deixei que os olhos desfrutassem com o
grafismo deste álbum, sobre o qual não tinha quaisquer indicações,
atraído que fui de imediato por uma planificação com vinhetas de
dimensões generosas e páginas duplas e pelo traço grosso e limpo de Philippe Girard.
Costuma
dizer-se que o importante não é a história, mas sim a forma como
ela é contada. E quando o(s) autor(es) conseguem contá-la bem, o
tema não importa, os leitores são seduzidos até por aquees a que
são indiferentes. É
o caso de Carlota
Imperatriz,
primeiro de dois volumes com a edição integral da biografia de
Carlota da Bélgica, assinada por Fabien Nury e Matthieu Bonhomme,
que a Ala dos Livros lançou recentemente e promete acabar no segundo
semestre.
Quase
dois anos depois, está finalmente completa a adaptação em BD que
Milo Manara fez do romance O
Nome da Rosa,
de Umberto Eco e que a Gradiva editou em português. O
original é célebre, o filme contribuiu para o conhecimento da
história, por isso a curiosidade em torno da sua passagem para banda
desenhada consistia essencialmente em ver como conseguiria Manara
contar por imagens um texto denso, para mais passado num espaço
relativamente fechado, uma abadia beneditina.
Defender
aquilo em que se acredita, seja em banda desenhada, romance, série
de televisão ou filme, é algo extremamente difícil. Por um lado é
necessário assumir um tom claramente subjetivo, mesmo que apoiado
por factos, mas por outro há que evitar o tom panfletário, os
excessos e os extremismos que desinteressem o leitor não convertido. A
nossa voz! consegue-o.
Quinto volume da colecção Marvel Must Have, distribuída quinzenalmente aos sábado com os jornais Correio da Manhã e Record,O Velho Logan foi um dos títulos Marvel que mais me surpreendeu, tanto pela sua força visual, quanto pela violência visceral do relato.
Sangoma,
edição recente da Arte de Autor, é uma história de tom policial
que decorre na África do Sul pós-Apartheid, embora, na prática,
ele só exista no papel porque, no terreno, seja nos bairros de lata
dos subúrbios, nas enormes fazendas dos brancos que os negros
reclamam ou no próprio parlamento, a segregação continua presente
os ódios ancestrais não se atenuaram, as feridas não sararam e
qualquer pretexto fá-las reabrir. E, entre os posicionamento
extremistas e radicais de um e outro lado, é difícil encontrar uma
posição intermédia e equilibrada.
Volta e meia dou por mim a
pensar o que leva autores de créditos firmados, obra feita e
carreira longa a retomarem séries antigas, nalguns casos datadas e
que até nem são especialmente marcantes ou
originais. A
pergunta é retórica, eu sei e a resposta é simples: alimentar a
nostalgia de gerações e garantir - tanto quanto isso é possível -
vendas (no mínimo) interessantes. Um
dos exemplos mais recentes - mesmo assim já quase com um ano - é
este Ray Ringo.
Como
pai, assusta-me pensar que aquilo que é narrado neste livro é
verdade. Aliás, a primeira impressão que um potencial leitor tem,
antes de o abrir e começar a ler, é que houve um erro na capa do
livro e o título deveria ser O
O Guia do MEU
pai.
Mas não, a proposta da Devir para o dia do progenitor que passou
há dias é
mesmo O
Guia do mau pai,
de Guy Delisle, pai de duas crianças em idade de escolaridade básica
que, num registo auto-biográfico com muito de irónico, ele trata
com um misto de afecto, impaciência e preguiça.