Trucidados pelo progresso
O
julgamento dos famintos
é a história de um assalto a um comboio.
Mas
é também a história do julgamento dos assaltantes.
É
uma história que seria ridícula e até risível, se não fosse
trágica . Muito trágica.
orque,
a acima de tudo, O
julgamento dos famintos
é a história de como o Velho Oeste foi mudando e de como isso mudou
hábitos, oportunidades e fontes de rendimento, da extinção dos
bisontes à chegada do comboio - como sinal do progresso (in)
desejado - passando por um sem número de pequeninas coisas que,
juntas, assumiram uma dimensão inimaginável. É, por isso uma
história do avanço inexorável do progresso sem olhar a quem deixa
para trás ou a quem é atropelado na sua louca correria.
E é a história de uns pobres coitados que, iludidos por um deles, embriagados pelos sonhos, acreditaram que um assalto era a solução para os seus problemas. Como tantas vezes se pensa. Com apenas raras vezes resulta...
E desengane-se quem espera um western tradicional; não é disso que trata este álbum, não é isso que é este álbum; é muito mais uma constatação sociológica sobre mudanças e a capacidade ou não de as acompanhar e sobre a sede de sangue que sempre irrompe nas multidões enfurecidas, para mais servido por um traço voluntariamente impreciso, nebuloso, que contribui para uma certa indefinição narrativa e para a caracterização de um relato que assenta também nos silêncios muito eloquentes.
O
julgamento dos famintos
Jolan
Thomas
A
Seita
Portugal,
Junho de 2026
225
x 295 mm, 96 p., cor, capa dura
16,00
€
(capa disponibilizada por A Seita, pranchas da edição original polaca; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão)
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