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17/06/2010

BD nacional cresce à margem das grandes editoras – Inquérito a Paulo Monteiro*

- Qual o objectivo das vossas edições?
Paulo Monteiro -
Com a edição do Venham +5 temos essencialmente dois objectivos: por um lado divulgar o trabalho dos autores, dentro das limitações impostas por este tipo de publicações ao nível da divulgação e da distribuição; por outro, incentivar a própria produção artística, já que a publicação, para os autores, é sempre essencial e motiva sempre novos projectos. A edição constitui, em si mesmo, um incentivo à produção. E isso é muito importante...

- Até onde conseguem chegar/que visibilidade têm estas edições?
Paulo Monteiro -
Têm grande visibilidade dentro do meio ligado à banda desenhada: autores, críticos, pequenos editores, etc. (basta consultar os blogs e sites da especialidade, para termos essa noção). Fora deste nicho, acho que a visibilidade é muito reduzida, ou quase nula. Aliás, isto não se passa apenas com as pequenas edições ou com a edição de fanzines. Passa-se a uma escala mais alargada, mesmo com as grandes casas editoras. A banda desenhada não abre os noticiários nem é primeira página de jornal, salvo em raras ocasiões (não obstante o esforço levado a cabo por muitos jornalistas). As redacções raramente destacam a banda desenhada. Basicamente: a banda desenhada constitui um nicho de leitores. Como constitui um nicho não tem visibilidade. Como não tem visibilidade não "merece" destaque. É um círculo vicioso que vamos tentando anular (instituições ligadas à banda desenhada, autores, jornalistas, etc.). Mas nem sempre é fácil contrariar esta situação.

- Nestes moldes, que futuro antevês para a BD nacional?
Paulo Monteiro -
Se nos quisermos circunscrever a um pequeno nicho (como sucede, de certa forma, com a poesia ou com o cinema de animação), antevejo um futuro relativamente tristonho. Faltam-nos leitores... (Teremos que os ir buscar a outros sítios, nomeadamente à literatura).
Ao nível artístico, que considero verdadeiramente surpreendente na banda desenhada portuguesa (há de tudo para todos os gostos), acredito que os autores continuem a criar obras absolutamente excepcionais, como sucede de quando em quando. Todos os anos surgem novos projectos. Mas falta-nos estratégia. Falta-nos agregar gente à volta da banda desenhada. Há muitas ideias, muitas intenções, mas uma falta de visão estratégica que só se resolve juntando autores, críticos e editores para estabelecer um plano de divulgação e leitura.

*Director do Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja e editor do Venham +5 e da colecção Toupeira
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