11/05/2026

Parker Girls

Muitas e boas… mas nada fragéis




Seduzido por uma bela capa e pelas (muitas e) boas referências que tinha lido sobre a obra, avancei por impulso para Parker Girls. Foi uma entrada auspiciosa no universo criado por Terry Moore.

De forma simplificada - até porque há muito mais nesta obra - pode definir-se este livro como um policial puro e duro, violento como eu gosto, e bastante irónico na forma como se desenrola em meio a um universo relacionado com crime organizado e diversos tráficos. Muito duro e violento, até, apesar de ser protagonizado por um conjunto de belas e sensuais mulheres, as ditas Parker Girls. 

Na sua base, está a morte de uma delas - Piper May, uma ex-Parker Girl - casada com um multimilionário das novas tecnologias. O aparecimento do seu cadáver numa praia de malibu, as suspeitas em torno de um afogamento sem água nos pulmões, desencadeia uma investigação que elas vão levar a cargo - sem olhar a meios… - e que vai desenterrar o seu passado e evocar algumas referências que o leitor novato na obra de Moure vai ter que fazer por compreender, mas a verdade é que a informação disponibilizada aqui é suficiente para entender e desfrutar plenamente desta obra com várias valências.

Aos poucos a trama vai-se tornando mais complexa, surgem algumas ramificações, questões do passado que deixaram marcas ou foram mal resolvidas e nem tudo é tão simples ou tão evidente como podia parecer no início. Por isso, as jovens - ou nem tanto assim… - vão ter que usar todos os seus recursos - que são muitos, a todos os níveis - demonstrando que apesar de belo, o sexo que representam nem sempre é estereotipadamente frágil, numa história que prende e obriga a passar página após página.

Obviamente, apesar de haver algumas verdades ou meias verdades que são incómodas no mundo real em que vivemos, os que decidirem avançar na leitura esperando um relato mais realista podem sair algo desiludidos porque, apesar de protagonizado por personagens de carne e osso, com espessura, passado, sentimentos e emoções - a começar pela união inquebrantável entre elas, cujo lema é “Parker gril um dia, Parker Girl para sempre” - a verdade é que Terry Moore aplica uma margem larga à sua narrativa, com alguns exageros que, para mim, só a tornam mais apetecível.

No final, confirmadas as referências, fica no entanto a mágoa da belíssima capa não ter expressão no interior onde o traço do autor completo se revela bem menos atractivo do que a imagem frontal fazia prever, apesar de ser inegavelmente dinâmico e muito eficaz para a narrativa que é contada.


Rendido a ‘este’ Terry Moore - e parcialmente ultrapassada uma das lacunas de leitura que eu tinha - fica-me a ressoar uma incómoda pergunta: qual o melhor caminho - leia-se ‘obra’ - para continuar a descobrir o seu universo?


Parker Girls
Terry Moore
Delcourt
França, 2024
178 x 264 mm, 224 p., pb, capa semi-rígida
23,75

(imagens disponibilizadas pela Delcourt; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão)

Sem comentários:

Enviar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...