O amarelo como símbolo de qualquer côr de que gostamos e nos traz saudades
O
livro é estranho: a capa muito grossa, a lombada em bruto, inacabada
- que mal vai ficar na estante...
É
a Solidão
do Ser, que
marca a estreia de Helena Sá, contemplada com o prémio Autora
Revelação do Maia BD 2026, no ano zero desta distinção, que se
concretizará sempre no apoio à edição de uma obra.
Mas, mais do que isto, a forma e o feitio, é uma história enganadoramente simples, incontornavelmente tocante, arrepiadoramente assertiva e que, apesar do desenho simples - aqui e ali simplista até? - tem o que é fundamental numa banda desenhada - e é tantas vezes esquecido - a sequenciação narrativa que leva o leitor, sem que quase dê por isso, de vinheta em vinheta - se assim podemos designar as componentes de uma planificação livre, aberta e heterogénea.
Uma história enganadoramente simples, como comecei a escrever atrás antes de o pensamento me arrastar para outras divagações, que nos fala de solidão, de não 'encaixarmos' num mundo cada vez mais catalogado e compartimentado, do vazio que isso provoca, dos sonhos de encontros, de companhia e da sensação de pertença que almejamos.
Tudo num preto e branco singular que propositadamente é subjugado pelo conteúdo e aceita aqui e ali as esperançosas pinceladas de amarelo, gritos sussurrados na cacofonia caótica que reina neste mundo em que existimos... mas em que poucas vezes vivemos ou em que vivemos pouco.
A
Solidão do Ser
Helena
Sá
A
Seita/Turbina
Portugal,
Maio de 2026
154
x 233 mm, 144 p., cor, capa mole com badanas
21,90
€
(clicar nas imagens para as aproveitar em toda a sua extensão)



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