10/07/2026

Magriços

E agora o… futebol!


Terminado - para Portugal - o Mundial, surge a altura de me ocupar de uma obra que evoca um outro Mundial, o de 1966, de boa memória.
Lançado em Abril, Magriços tem assinatura de Vascio Parracho, no que ao grafismo diz respeito, e de António Simões - esse mesmo, um dos magriços de 1966 - no que diz respeito, se não ao argumento, pelo menos às memórias e aos textos.

E é aqui que começa o problema deste álbum em que - tal como na selecção…? - houve ‘submissão’ do autor ‘real’ a quem viveu os factos, o que se reflecte nos longos textos e mesmo numa ‘personalização’ de um livro que se pretendia evocativo de toda uma equipa. Teria feito muito mais sentido que, por exemplo, os longos descritivos com as características de cada jogador, tivessem ido para o (já existente) glossário final, onde fariam mais sentido e não retirariam ritmo à obra. É verdade que isto pode passar despercebido a quem não lê habitualmente banda desenhada - e não esqueço que esta é uma proposta essencialmente para o leitor genérico - mas enquanto BD, pedia-se mais fluidez narrativa.

Outro aspecto que me fez confusão - e me levou até a verificar se não haveria páginas trocadas na minha edição - foi a ‘repetição’ final, alargada, do épico Portugal-Coreia do Sul que encerra o livro, em lugar de este terminar com o regresso dos heróis do Inglaterra 1966 a Portugal.

Em sentido contrário, funcionam bem as ‘aparições’ de craques futuros ao longo das páginas, num piscar de olho ao leitor, sendo igualmente significativa a evocação das páginas dos jornais de então e a planificação variada que Parracho utiliza ao longo do livro, que resulta em páginas visualmente bem conseguidas.

Sem contradizer o que escrevi atrás, reconheço que a participação de António Simões trouxe a vantagem de humanizar os jogadores portugueses e, possivelmente, de evocar pormenores só conhecidos por quem os viveu directamente.

Finalmente, uma referência para a importância que o feito daquela selecção, fruto de talento, esforço e superação - qualidades que nem sempre andam juntas… - teve para o ego e a auto-estima dos portugueses anónimos, a viverem dias ditatoriais difíceis.


Nota final

Esta edição é oportuna - por relembrar um momento alto do desporto português - e inteligente por ter sido associada temporalmente ao Mundial de 2026 de todas as (des)ilusões que, infelizmente, não evocará uma obra similar.


Magriços
Vasco Parracho com António Simões
Prime Books + Federação Portuguesa de Futebol
Portugal, Abril de 2026
216 x 301 mm, 56 p., cor, capa dura
19,90 €

(imagens disponibilizadas pelo autor; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão)

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