Desenhar(-se)
“Queria
fazer parte desse mundo mágico e criar uma coisa que pudesse fazer
com que as pessoas sentissem tantas emoções.”Mansoureh
Kamari in As linhas que traçam o meu corpo
E Mansoureh Kamari conseguiu fazê-lo quanto a este livro, As linhas que traçam o meu corpo, que é sem qualquer dúvida um turbilhão de emoções que sentimos através dela quando evoca o seu passado de menina/adolescente/mulher no Irão.
Pela forma como os seus sonhos, os seus anseios, os seus desejos, apenas e tão o quer viver normalmente de acordo com a sua idade, foram sempre abafados, atrofiados, ensombrados por uma política religiosa fanática e castradora e por uma sociedade patriarcal repressiva que dá aos homens todos os direitos e às mulheres direito nenhum.
Essa realidade chocante que - feliz ou infelizmente - já conhecemos através de outros autores - com Marjane Satrapi, como pioneira, à cabeça - no caso de Kamari incomoda mais, não só porque ela teve uma vivênca bem mais opressiva mas também porque as ssuas memórias contrastam com o seu desenho que se revela extremamente bonito em especial na forma como ela consegue representar o rosto feminino com uma beleza e uma ternura imensas.
O que, no entanto, quero reforçar, não retira nenhuma da dureza, da crueldade, da violência intrínseca de tudo aquilo por que passou e cujas consequências ainda sente, revive e invoca na sua obra
“com as minhas linhas quebradas e imperfeitas”
como registo, sim, como documentário, sim, mas acima de tudo como partilha e exercício catárctico, como forma de libertação, sem esquecimento, para poder continuar a viver. E a desenhar.
Nota final
A autora está presente no Amadora BD 2026, nos dias 16, 17 e 18 de Outubro.
As
linhas que traçam o meu corpo
Mansoureh
Kamari
Arte
de Autor
Portugal,
Maio de 2026
170
x 240
mm, 200 p.,
cor, capa dura
25,00
€
(imagens disponibilizadas pela Arte de Autor; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão; clicar nos textos a cor diferente para saber mais sobre os temas destacados)



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