Escrevo
estas linhas conscientemente: não
consigo pensar em
mais
nenhum autor que, como
Zidrou,
seja capaz de transmitir
tão bem emoções, combinando
de forma adequada e equilibrada humor
e ternura. É um autor que consegue emocionar-nos, ao mesmo tempo que
nos faz sorrir, que junta a lágrima com a gargalhada e,
finalizada
a leitura, nos deixa de bem com a vida, connosco próprios e até com
os outros.
Geralmente,
associamos o conceito de série a histórias com protagonista fixo.
No caso de A
Adopção,
cujo segundo volume
português (correspondente ao segundo ciclo),
Wajdia
& Arrependimentos
acaba de ser editado em português pela Ala dos Livros, os
protagonistas mudam de ciclo para ciclo, mantendo-se apenas a
temática de base: a adopção de crianças.
“Todos
sonhamos com histórias que acabam bem”, lê-se a certa altura em A
Adopção,
mas, raramente, sabemos o que é ‘acabar’ e o que é ‘bem’. E
temos tendência para procurar a felicidade nos outros, no acessório,
no que está longe, como se aquilo que nos rodeia, que está mesmo à
nossa beira não pudesse suprir - e de forma bem mais consistente -
“esta esperança, esta cegueira” - a
tal ‘felicidade’ - que
é “a força da humanidade”.