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15/06/2020

Cisco Kid #2 El robo de Diablo

Fora das normas

Cisco Kid, como (quase) todas as séries de western, obedece a uns quantos estereótipos -expectáveis - pelo que é necessário procurar noutros aspectos as razões para o seu sucesso e a validação da sua leitura - (ainda) aconselhável… mais de meio século após a sua publicação. No caso presente, a soberba arte de José Luís Salinas e, apesar de tudo, aquilo que distingue este western - a temática romântica e o posicionamento quixotesco de Cisco - da maioria dos outros.
Ou não, quando as narrativas com que nos deparamos contrariam as ‘normas’ acima expressas e se sustentam por si só.

06/01/2012

Cisco Kid - "Lucy, Flor Roja y Belle"








Rod Reed (argumento)
José Luís Salinas (desenho)
Colecção Cómics de Prensa
Libros de Papel (Espanha, Dezembro de 2011)
280 x 235 mm, 88 p., pb, brochado
16,50 €


1.       Descobri Cisco Kid na minha adolescência, nuns velhinhos fascículos encadernados da Colecção Audácia, em casa da minha avó.
2.      Casa que, aliás, foi fértil em proporcionar-me descobertas de revistas dos anos 1930 a 1960, deixadas pela minha mãe e tios e que hoje estão na minha “biblioteca”.
3.      Talvez por isso, apesar de depois o ter (re)encontrado com alguma regularidade no Mundo de Aventuras, para mim, as aventuras de Cisco são a preto, branco e uma cor, no caso o vermelho desmaiado com que o vi pela primeira vez.
4.      E foi essa a recordação que me veio de imediato à memória, quando olhei para a capa desta nova incursão de Manuel Caldas pela edição de bandas desenhadas clássicas norte-americanas.
5.      Com a edição, como habitualmente, bem enquadrada por um texto introdutório, conciso mas bastante completo e interessante, da autoria de Manuel Andrés.
6.      Incursão que, como não poderia deixar de ser, foi feita com a minúcia, rigor e competência habituais, o que permite desfrutar das tiras inicias de Cisco Kid como, possivelmente, nunca até hoje tinham sido publicadas.
7.      E, reconheço, é um prazer admirar o traço realista, fino, elegante e dinâmico do argentino José Luís Salinas, nesta edição, em que os pretos – sim, o interior é “apenas” a preto e branco! – têm uma nitidez e um brilho inigualáveis!
8.      E, maior é esse prazer, nas vinhetas e pormenores reproduzidos num formato próximo dos originais de Salinas, sem que o seu traço perca com isso.
9.      Foi com esse (soberbo) extra, que recordei este pouco convencional western, protagonizado por um invulgar cowboy, decidido e bom atirador como todos os heróis, mas igualmente romântico e conquistador, sempre mais preocupado com as – belíssimas – mulheres com que se cruza, do que com os perigos proporcionados por facínoras e peles-vermelhas.
10.  Porque, se a base da trama de cada história – e neste tomo são três – encaixa facilmente nos estereótipos do género, com juízes pouco honestos a criar esquemas duvidosos para se apoderarem de terras, traficantes de armas a tentar provocar guerras entre índios e brancos ou aventureiros em busca de minas de ouro perdidas, elas integram igualmente temáticas bem mais originais.
11.   Por um lado, o tal tom romântico, (por causa dele?) reforçado pelo protagonismo que é dada às personagens femininas – no caso, a Lucy, a Flor Roja e a Belle presentes do título deste volume.
12.   Depois, porque esse protagonismo existe também porque elas são bem mais do que seres frágeis e indefesos a necessitar do abraço protector e acolhedor do herói; Lucy, Flor Roja e Belle são (muito) belas e sensuais, ninguém duvide, mas também activas e inteligentes, interventivas e resolutas, provocando mais a acção do que o próprio Cisco.
13.   Este facto dá um tom de emancipação feminina a este western, temática claramente presente aliás na narrativa inicial - aquela com que Cisco se estreou nos quadradinhos, em tiras diárias, a 15 de Janeiro de 1951, num prolongamento da sua pré-existência como protagonista de um romance de O. Henry e de alguns filmes.
14.  Finalmente, em todas as histórias há também uma nota de humor, que as aligeira, dada por Pancho, mexicano como Cisco, mas em tudo o mais diferente dele: gordo, desajeitado, amante de comida e de dormir e fonte inesgotável de gags.
15.   A talhe de foice ao que atrás ficou escrito, acrescento que o presente volume recolhe, num tamanho apreciável, todas as tiras publicadas pelo King Features Syndicate desde a estreia de Cisco até 13 de Outubro de 1951.
16.   E, esclarecendo quem possa pensar o contrário, não se trata do primeiro volume da reedição integral da obra mais conhecida de J. L. Salinas porque, afirma Manuel Caldas no preâmbulo, não dispõe “de material de reprodução com a qualidade” que os seus critérios editoriais exigem.
17.   O que não tem que ser negativo pois, em alternativa, Caldas propõe-se que - se houver “público para apoiar (ou alguém com ganas de, por puro amor à arte, ajudar)” - este seja o tomo inaugural da colecção Cómics de Prensa, que num futuro que se deseja próximo, incluirá  títulos como Casey Ruggles (já em preparação!), Scorchy Smith, Dickie Dare, Gasoline Alley, Jed Cooper, Drago ou outros.
18.   Por isso, mesmo estando em espanhol, por favor tratem de comprar o livro, que até só chegará às livrarias (do país vizinho…) em Fevereiro, directamente ao editor porque receberão a reprodução de uma tira no formato original em que foi desenhada e, mesmo “só” a preto e branco, esta é mais uma daquelas edições imperdíveis como tantas outras que Caldas (nos) tem proporcionado.

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