17/03/2026

Les enfants de la résistance 5 - Le pays divisé

De pequenino...


Desde a adolescência, tanto quanto me lembro, fui atraído pela temática da Segunda Guerra Mundial, especialmente na óptica - tenho que escrever ‘naturalmente’ - da luta justa dos aliados contra as forças do Eixo que, é como quem diz de americanos, ingleses e franceses contra alemães, italianos e japoneses.
Um lado justo - e vinco - porque numa guerra há sempre - ou quase, quase sempre… - um lado justo e um lado iníquo; no caso, era a guerra entre quem defendia, a liberdade, a justiça, o direito à identidade pátria e à igualdade entre homens, contra aqueles que tinham por missão dominar o mundo, que eram totalitários, que acreditavam na absurda superioridade de uma raça sobre as outras todas.

E vincar isto é tanto mais importante hoje em dia, não só pela reescrita da História que tantos tentam fazer, como pelo crescimento de totalitarismos e de opções ideológicas altamente duvidosas e perigosas.

Devo - mais isto - em grande parte ao meu pai e às leituras - fora da BD - que me foi proporcionando, aos filmes que me foi fazendo ver e também às bandas desenhadas que, naturalmente, foram surgindo associadas àquela temática.

Hans Helmut Kirst e Sven Hassel foram dois dos escritores que li e reli - mais o primeiro do que o segundo, especialista em mostrar a barbárie do nazismo a partir do seio da própria Alemanha - assim como guardei na memória filmes como o inevitável Os canhões de Navarone, ou vi séries como Colditz ou, num registo completamente, diferente, Alô, alô. E na banda desenhada, conforme me foram parado às mãos, devorei Ene 3, Major Alvega, Manselle X, Buck Danny para citar as que me vieram à memória ao passar os dedos pelo teclado do computador. Leituras e filmes que me ajudaram a formar não só como espectador e leitor mas, principalmente, como pessoa.

É por este meu passado, pela importância que atribuo ao conhecimento da verdadeira História, que me deixei seduzir por Les enfants de la Résistance, uma série que embora apontada a um público infanto-juvenil, ou não sejam os protagonistas três crianças, depois adolescentes, que criam uma célula anónima de resistência contra o ocupante nazi em França. Muito bem feita em termos gráficos e de conteúdo, na forma como vai transmitindo a realidade do que foi a invasão nazi e viver sob ocupação, mas também dos diversos posicionamentos que tiveram lugar entre os franceses, proporciona um retrato abrangente da situação vivida e seduz pelo heroísmo tanto ingénuo como consciente dos três protagonistas, dois franceses e uma alemã fugida do seu país - facto o que proporciona mais uma série de reflexões importantes.

Se este quinto álbum se foca na divisão que existiu em pleno território francês, noutros têm sido abordadas questões como a ajuda a pilotos ingleses abatidos em França ou as oldados aliados fugidos de campos de prisioneiros alemães, as acções de sabotagem feitas pela Resistência ou o crescendo da repressão e da consequente oposição.

Para além disso, é uma série que seduz pela tomada de consciência progressiva daquelas crianças que se tornaram adolescentes durante um período tão difícil da história e da sua realidade, obrigadas a saltar etapas numa idade já de si tão complicada.

Se não é uma série que eu aconselhe às editoras nacionais porque me parece que só faz plenamente sentido - todo o sentido - na realidade francófona, é uma série que não consigo deixar de aconselhar a quem costuma passar por aqui e está interessado na temática, reforçada pelos dossiers existentes no final de cada álbum.


Les enfants de la résistance 5 - Le pays divisé
Vincent Dugomier (argumento)
Benoît Ers (desenho)
Le Lombard
Bélgica, 2019
222 x 295 mm, 56 p., cor, capa dura
13,45

(imagens disponibilizadas pela Le Lombard; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão; clicar nos textos a cor diferente para saber mais sobre os temas destacados)

2 comentários:

  1. Rui Cartaxo17/3/26 19:10

    Também sou leitor da série, Pedro Cleto 🙂, ou não fossemos ambos "baby boomers", e "francófonos", entre outros 🙂. E, tal como tu, também comecei a meio, embora eu tenha começado antes, no v3 😉.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá Rui, sim, temos os mesmos 'problemas geracionais'! Mas não, eu comecei pelo volume 1, mas só agora calhou de escrever sobre esta série, de que já tenho os próximos 3 volumes à espera na pilha...
      Boas leituras!

      Eliminar

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...