De pequenino...
Desde
a adolescência, tanto quanto me lembro, fui atraído pela temática
da Segunda Guerra Mundial, especialmente na óptica - tenho que
escrever ‘naturalmente’ - da luta justa dos aliados contra as
forças do Eixo que, é como quem diz de americanos, ingleses e
franceses contra alemães, italianos e japoneses.
Um
lado justo - e vinco - porque numa guerra há sempre - ou quase,
quase sempre… - um lado justo e um lado iníquo; no caso, era a
guerra entre quem defendia, a liberdade, a justiça, o direito à
identidade pátria e à igualdade entre homens, contra aqueles que
tinham por missão dominar o mundo, que eram totalitários, que
acreditavam na absurda superioridade de uma raça sobre as outras
todas.
E vincar isto é tanto mais importante hoje em dia, não só pela reescrita da História que tantos tentam fazer, como pelo crescimento de totalitarismos e de opções ideológicas altamente duvidosas e perigosas.
Devo - mais isto - em grande parte ao meu pai e às leituras - fora da BD - que me foi proporcionando, aos filmes que me foi fazendo ver e também às bandas desenhadas que, naturalmente, foram surgindo associadas àquela temática.
Hans Helmut Kirst e Sven Hassel foram dois dos escritores que li e reli - mais o primeiro do que o segundo, especialista em mostrar a barbárie do nazismo a partir do seio da própria Alemanha - assim como guardei na memória filmes como o inevitável Os canhões de Navarone, ou vi séries como Colditz ou, num registo completamente, diferente, Alô, alô. E na banda desenhada, conforme me foram parado às mãos, devorei Ene 3, Major Alvega, Manselle X, Buck Danny… para citar as que me vieram à memória ao passar os dedos pelo teclado do computador. Leituras e filmes que me ajudaram a formar não só como espectador e leitor mas, principalmente, como pessoa.
É por este meu passado, pela importância que atribuo ao conhecimento da verdadeira História, que me deixei seduzir por Les enfants de la Résistance, uma série que embora apontada a um público infanto-juvenil, ou não sejam os protagonistas três crianças, depois adolescentes, que criam uma célula anónima de resistência contra o ocupante nazi em França. Muito bem feita em termos gráficos e de conteúdo, na forma como vai transmitindo a realidade do que foi a invasão nazi e viver sob ocupação, mas também dos diversos posicionamentos que tiveram lugar entre os franceses, proporciona um retrato abrangente da situação vivida e seduz pelo heroísmo tanto ingénuo como consciente dos três protagonistas, dois franceses e uma alemã fugida do seu país - facto o que proporciona mais uma série de reflexões importantes.
Se este quinto álbum se foca na divisão que existiu em pleno território francês, noutros têm sido abordadas questões como a ajuda a pilotos ingleses abatidos em França ou as oldados aliados fugidos de campos de prisioneiros alemães, as acções de sabotagem feitas pela Resistência ou o crescendo da repressão e da consequente oposição.
Para além disso, é uma série que seduz pela tomada de consciência progressiva daquelas crianças que se tornaram adolescentes durante um período tão difícil da história e da sua realidade, obrigadas a saltar etapas numa idade já de si tão complicada.
Se não é uma série que eu aconselhe às editoras nacionais porque me parece que só faz plenamente sentido - todo o sentido - na realidade francófona, é uma série que não consigo deixar de aconselhar a quem costuma passar por aqui e está interessado na temática, reforçada pelos dossiers existentes no final de cada álbum.
Les
enfants de la résistance 5 - Le
pays divisé
Vincent
Dugomier (argumento)
Benoît
Ers (desenho)
Le
Lombard
Bélgica,
2019
222
x 295 mm, 56 p.,
cor, capa dura
13,45
€
(imagens disponibilizadas pela Le Lombard; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão; clicar nos textos a cor diferente para saber mais sobre os temas destacados)



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