Sem excessos nem extremismos
Defender
aquilo em que se acredita, seja em banda desenhada, romance, série
de televisão ou filme, é algo extremamente difícil. Por um lado é
necessário assumir um tom claramente subjetivo, mesmo que apoiado
por factos, mas por outro há que evitar o tom panfletário, os
excessos e os extremismos que desinteressem o leitor não convertido.
A
nossa voz! consegue-o.
Obra de tom adolescente/jovem - assumindo, afinal, o escalão etário dos protagonistas - fala de três amigas, Bao, Tuva e Linnéa, que se unem, contra a própria escola, para defenderem a natureza em oposição à construção de um parque de estacionamento.
Equilibrando as relações entre as três, o despertar dos primeiros amores, os choques familiares em que a idade é pródiga e assentando na defesa do planeta - que começa no ‘nosso jardim’ - no entusiasmo juvenil pelas grandes causas e numa consciência cívica, social e ecológica, A nossa voz! é um relato agradável, de leitura bem ritmada, que prende e consegue passar a mensagem, dando a sensação que não é isso o mais importante mas sim o retrato social de gerações diferentes mas que podem unir-se por objetivos comuns.
Terminada a leitura do livro, distinguido com o Prémio UNICEF de Literatura Juvenil 2025, fica a certeza de uma boa surpresa que ilustra o melhor que a leitura me tem dado: o prazer da descoberta de obras acerca das quais não tinha expectativas.
A
nossa voz!
Nora
Dåsnes
Nuvem
de Letras
Portugal,
Março de 2026
150
x 210
mm, 240
p., cor,
capa mole com
badanas
15,95
€




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