Espelho de drama
Três
irmãs,
é exemplo daquilo que podemos esperar hoje no nosso país: edições
improváveis, de criadores desconhecidos, mas que têm algo para nos
dizer.
Integrada na colecção
Busztyn, que é como quem diz Âmbar, em polaco, que A
Seita criou para trazer “para Portugal o melhor da banda desenhada
polaca contemporânea”, tem autoria de Anna Poszepczyńska
e valeu à autora o Orienty Men Award, atribuído pelo
Festival de Comics de Varsóvia.
A solução encontrada foi Olza, mais velha e já adulta - legalmente… - ir trabalhar e Lena ficar em casa com a irmã.
A sucessão de páginas, que chega a tornar-se pungente, relata o quotidiano das duas irmãs mais velhas - o de Dominika pouco ou nada tem a relatar, infelizmente… - espelhando o drama que lhes caiu em cima, as vidas não adiadas, como às vezes acontece, mas negadas pelo destino, o acaso ou o que lhe quiserem chamar. Jovens, inteligentes, cheias de vida, perderam o direito a divertir-se, estudar, ter amigos - namorados até… - e sentem uma enorme culpa sempre que se concedem um curto intervalo no seu drama…
Com um traço simples, mas expressivo, em cenários despojados, Anna Poszepczyńska faz avançar o relato, entre os ínfimos progressos ilusórios da irmã mais nova e a sobrevivência das mais velhas, numa bela demonstração de amor fraternal. Que, no entanto deixa marcas, dúvidas, remorsos, culpas, desconfianças, de que nos vamos apercebendo conforme a obra avança.
E o final é disso um cruel espelho, mostrando como, mesmo apesar das melhores aparências, é tão difícil gerir alguns fardos que a vida por vezes nos traz.


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