A tempestade perfeita
De forma bem conseguida, a um tempo ligeira e completa, Fabien Nury continua a narrar-nos a ascensão e queda de Carlota da Bélgica, imperatriz do México, num relato superiormente servido pela bela linha clara de Mathieu Bonhomme - e as belíssimas cores de Delphine Chedru.
Se no final do primeiro tomo, a vida parecia sorrir a Carlota, o segundo expõe claramente a sua queda vertiginosa após uma ascensão a pulso. Na verdade, tudo parece em conluio para formar aquilo que se costuma apodar de ‘tempestade perfeita’: o regresso de Maximiano, a necessidade imperiosa - e imperial… - de um herdeiro, o abandono do México por Napoleão III, a morte do pai de Carlota, as tensões e intrigas que redobram de intensidade no seio da corte mexicana…
O seu conjunto - algum idealismo, as ilusões que alimentou (e alimentaram…), o ser mulher num mundo (ainda) de homens - acabarão por fazer desmoronar os seus sonhos e anseios, farão ruir todos os seus projectos e afectarão irremediavelmente a sua sanidade mental.
Estes acontecimentos, narrados num crescendo imparável, muito bem gerido pelo argumentista, acaba por tornar violentamente épico - se me permitem descrevê-lo assim - este segundo tomo que comprova que ‘quanto mais se sobe, maior é a queda’ e em que aliados, alianças, amizades e relações se revelam pueris e passageiras, ilustrando à saciedade a vanidade do ser humano.
Carlota
Imperatriz 2/2
Fabien
Nury (argumento)
Matthieu
Bonhomme (desenho)
Ala
dos Livros
Portugal,
Julho de 2026
243
x 317 mm, 152 p., cor, capa dura
35,00
€
(imagens disponibilizadas pela Ala dos Livros; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão; clicar nos textos a cor diferente para saber mais sobre os temas destacados)



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