Familiar, mas...
Como leitor de (muita) banda desenhada, penso que ganhei bastante - e adivinho já alguns a franzirem o sobrolho - por ter incorporado nas minhas leituras regulares as propostas Bonelli. De Julia a Tex, de Dylan Dog a Martin Mystère, (menos) de Nick Raider a Nathan Never ou de Dragonero a Zagor (e a outros, todos eles, a diferentes níveis - e intensidades - como que fazem parte da minha família de leituras e, como ponto de partida ou de passagem, com amarras certas e seguras, possibilitam que parta para pranchas de outras abordagens - que alguns classificarão como mais adultas e/ou exigentes.
A ideia, que me surgiu espontaneamente ao começar este texto e que eu próprio ainda não interiorizei completamente e que sinto ainda tem mais para (me) dar - curiosamente surgiu sensivelmente a meio da leitura de mais um relato da personagem menos previsível do catálogo Bonelli - Dylan Dog, evidentemente - quando este texto começou a esboçar-se na minha mente.
Comemoração dos 40 anos do Detective do Impossível por A Seita, Morte em 16 por 9 - com assinatura de dois monstros da série, Roberto Recchioni e Corrado Roi - tem o condão de se desenvolver no meio que menos aprecio em Dylan: o fantástico e sobrenatural absolutos - porque sou de longe mais apreciador das suas aventuras mais terra-a-terra, mesmo que o surreal esteja sempre presente.
Desta vez, o desaparecimento de um homem e, depois, da mulher que contratou Dylan e por quem ele - inevitavelmente - se apaixonou, levá-lo-à para uma outra dimensão, obrigando-o a fazer o sacrifício supremo, num final doloroso e intenso que revisita alguns dos momentos mais marcantes dos seus 40 anos de vida escrita e desenhada.
O título 16 por 9 prolonga-se - ou foi escolhido? - no formato da planificação adoptado, com cada página composta por três vinhetas horizontais, supostamente escolhida para abrir o campo visual do leitor e dar mais realce ao horror que perpassa por muitas das páginas. No entanto, pese embora o belíssimo traço de Roi, em termos de leitura, senti o modelo redutor e menos apelativo ao leitor e à sua capacidade - ou necessidade? - de preencher o ‘espaço branco entre as vinhetas’ - talvez porque aqui ele surja sensivelmente reduzido.
Com outras referências cinematográficas, a começar pelo visual dos protagonistas, numa história repleta de sensualidade e que também tem na arte um prolongamento fundamental, senti que esta é mais uma daquelas histórias que não deixará indiferentes nem os indefectíveis Bonelli... nem os outros.
Dylan
Dog - Morte
em 16 por 9
Roberto
Recchioni (argumento
Corrado
Roi
(desenho)
A
Seita
Portugal,
Junho
de 2026
180
x 275 mm, 208
p., cor, capa dura
24,00
€
(imagens disponibilizadas por A Seita; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão; clicar nos textos a cor diferente para saber mais sobre os temas destacados)



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