O pior vem sempre ao de cima
E se…?
Três... digitais
Filipe Pina (argumento)
8. (Para as quais não está excluída nova vida – em versão digital ou comercial ou até uma sequela; tudo depende do sucesso do jogo.)
11. Pelo que atrás fica escrito, olhando para estas 22 parcas pranchas, percebo perfeitamente a razão porque uma editora francófona, ao vê-las – e lê-las - propôs de imediato aos autores um contrato para três álbuns. Recusado…
13. Porque o que é narrado nestas 22 pranchas, é já forte e impactante, deixa muitas pistas soltas – a começar pelo destino dos heróis que a protagonizam – e, em aberto, uma história com muito para dar.
5. O facto de ter apenas existência online tem como grande vantagem a eliminação de uma série de intermediários e custos (impressão de caixas, manufactura dos CDs, transporte desde a China, etc.), logo não existe uma tiragem finita nem necessidade de reimpressões, o que permitiu um maior controle do produto e a sua disponibilização junto do cliente final a um preço muito mais acessível: 14,99 €.
7. Foi um longo processo, em que no pico traba-lharam cerca de 20 pessoas, que obrigou a responder a um questionário inicial da Sony com 80 páginas, a diversas sub-contratações (música, traduções, vídeo, autores de BD), e, na fase final a quase três meses de testes por uma empresa especializada britânica para ajuste de pormenores.
(Segundo Filipe Pina)
O álbum BRK, vai ser apresentado amanhã, sábado, 10 de Outubro, às 16h30, na livraria especializada em banda desenhada
Central Comics (Rua do Bonjardim, 505, no Porto), com a presença dos autores, Filipe Pina (argumento) e Filipe Andrade (desenho), para uma sessão de autógrafos.
Filipe Pina (argumento)
Sem ordenação de razões por importância, desde logo pela forma como foi sendo publicada, regularmente, em episódios, ao longo de vários meses, retomando um formato que durante muito tempo imperou, o da história em continuação, que prendia e deixava o leitor suspenso, ansiando pelo número seguinta da revista/jornal para conhecer cada nova peripécia da narrativa. E Filipe Pina, o argumentista, soube gerir bem este aspecto, conseguindo criar momentos de suspense em cada suspensão da história, surpresas, dúvidas, falsas certezas até, criando mais e novas razões para que a leitura fosse retomada posteriormente, dois meses depois.
O retrato traçado de David - bem como daqueles que lhe são próximos - é bastante realista e credível. Para além de David ser bem trabalhado a nível psicológico, o tom realista é aprofundado pelo facto de os cenários da acção serem também reais: do Porto a Almada ou Lisboa, e de algumas situações - a repórter da RTP que faz a reportagem do atentado, … - apelarem para o Portugal real e existente, que todos conhecemos e onde tudo se passa. Realismo extendido pela ancoragem à realidade actual - para lá das questões e vivências da adolescência, a boleia dos perigos do terrorismo mundial e das questões antiglobalização. Destes dois tópicos, alimenta-se boa parte da trama; do primeiro, sobram razões para as duas situações mais espectaculares da BD até agora: o atentado no "MkDonaldes" (é mesmo assim), na Avenida dos Aliados, no Porto, logo nas primeiras pranchas, e a (surpreendente) falta de gravidade, que encerra o 3º capítulo.
Tom, já escrevi, apenas entrecortado com as tais duas cenas espectaculares e pela morte, a tiro, de um familiar de David, na página 67, a última que eu li… E que, apesar de menos impactante que as outras duas citadas, de um ponto de vista global - tem mais condições para provocar mudanças e inflexões, que, com sinceridade, fico a agurdar com interesse, porque interage directamente com David, protagonista mas não herói - afirmando, mais uma vez, o lado humano da narrativa, que é sobre gente, não sobre sítios ou grupos.