27/04/2015

Armandinho Dois







Ao fim de três livros – mesmo que este só se chame Dois! – Armandinho (quase) já não tem surpresas para os leitores. É como um velho conhecido, que reencontramos regularmente mas que, mesmo assim, não deixa de nos surpreender.


Do salto do primeiro livro para este terceiro – e em termos de publicação em jornal estamos a falar de um período de pelo menos meio ano – a principal diferença que se destaca é a consolidação do microcosmos em que o protagonista se move. Microcosmos povoado por um número reduzido de personagens, com quem Armandinho contracena, a quem desespera e/ou surpreende, para divertimento do leitor.


Um microcosmos onde cabem os pais e a professora – melhor, as (longas) pernas dos pais e da professora -, o sapo de estimação e um ou outro amigo, para já com parcas aparições, mas cujo (imenso) potencial é fácil de perceber.
Apesar da sua aparente limitação, esse microcosmos – retrato fiel da vida dos que ainda contam poucos anos - é suficiente para nos fazer vislumbrar uma variedade (quase infinita?) de situações, que o pequeno e irrequieto Armandinho vai interpretando ao sabor do momento e da sua sabedoria, infantil, ternurenta e ingénua, apesar de aqui e ali já se vislumbrar uma ou outra contaminação da idade adulta.


Espontâneo, surpreendente, desarmante e, por tudo isso, divertido, apesar de nascido no Brasil – e fruto da crescente globalização - Armandinho tem tudo para que (também) os portugueses se identifiquem com ele e aumentem o número daqueles que (também) se sentem velhos conhecidos e (já) não passam sem um ou outro encontro regular.
E, termino da mesma forma que concluí a minha leitura dos Psicopatos pois, se – até antes da publicação em jornal – Armandinho se mostra no Facebook, “a verdade é que a sua compilação em livro lhe confere um outro estatuto e uma vida (justamente) mais duradoura, para lá do imediatismo da existência online”.


Nota final
Segundo anúncio da editora – com direito a tira original alusiva - Alexandre Beck, “pai” de Armandinho, vai estar em Lisboa, no dia 18 de Maio, na FNAC do Colombo, para apresentação dos seus livros. Não seria boa ideia levá-lo a conhecer – e dar-se a conhecer a outros pontos do país…?

Armandinho Dois
Alexandre Beck
O Castor de Papel
Portugal, Março de 2015
210 x 150 mm, 96 p., brochado com badanas
9789899930179
7,95 €


(Imagens, não necessariamente presentes em Armandinho Dois, retiradas da sua página de Facebook)

3 comentários:

  1. Pedro Ferreira28/4/15 08:49

    Porque o considero dos melhores críticos da 9ª arte, indiscutivelmente, quer eu quer todos os bons amantes de BD, deixo um desafio e ao mesmo tempo um singelo pedido: O Pedro Cleto podia deixar aqui neste seu e nosso cantinho uma lista dos melhores álbuns de BD de sempre…………..Há semelhança do que é feito noutras áreas, como por exemplo cinema e musica. Muito obrigado
    Abraço bedéfilo
    P.S. – O ultimo álbum que me fascinou foi a Arte de Voar de Altarriba/Kim


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    Respostas
    1. Caro Pedro Ferreira,
      Obrigado pela sua participação aqui neste blog e pelas suas palavras.
      Quanto a uma lista das melhores BDs de sempre é algo extremamente complicado, desde logo porque se torna difícil comprar séries regulares (comics, franco-belga) com graphic novels ou one-shots.
      Depois, porque na elaboração de listas entra sempre com grande peso o gosto pessoal. No meu caso, possivelmente entrariam poucos comics de super-heróis, quase nenhum manga e muitas bandas desenhadas franco-belgas.
      Em terceiro lugar, tenho a certeza que (ainda) não li algumas das obras que mereceriam entrar nessa lista.
      Finalmente, teria de ser uma lista muito extensa que se tornaria maçadora para quem a consultasse e extremamente trabalhosa, porque cada uma das obras deveria levar aposta a justificação para a sua presença.
      Sem esse propósito, a lista das melhores bandas desenhadas que publico aqui mensalmente pode ser um pequeno substituto para a falta da outra! ;)

      Boas leituras!

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    2. E, já agora Pedro Ferreira, também fiquei fascinado por A Arte de Voar, quando o li na edição espanhola, fascínio que aumentou quando tive a oportunidade de a traduzir para a actual colecção Novela Gráfica do Público.
      Acredito que O Diário do Meu Pai, na mesma colecção, também o vai fascinar...

      Boas leituras!

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