19/11/2009

BD para o Natal – Krazy + Ignatz + Pupp

Escrevo aqui o primeiro de uma série de posts com sugestões de prendas de Natal aos quadradinhos, porque acredito que um livro é – sempre foi, sempre será – uma das melhores prendas que se pode oferecer. No Natal, ou noutra altura qualquer, claro está!
Embora (quase) todos os livros aqui referenciados em As Leituras do Pedro sejam boas prendas, vou tentar fugir do óbvio e acredito que a minha segunda sugestão vai ser uma bela e agradável surpresa para (quase) todos.
Mas enquanto essa não chega, para já, fiquem com:


Krazy + Ignatz + Pupp
Uma Kolecção de Pranchas a Kores Kompletamente Restauradas
George Herriman (argumento e desenho)
João Ramalho Santos (tradução)
Álvaro Pons (introdução)
Manuel Caldas (restauro)
Libri Impressi (Portugal e Espanha, Novembro de 2009)
230 x 324 mm, 48 p., cor, brochado


Por várias razões.
Desde logo, embora razão menor, porque a “marca” Manuel Caldas é sinónimo de qualidade e excelência, patente nesta edição cuidada e esmerada, com uma cuidada tradução - e não percam a oportunidade de ver o que ela exigiu! - e que inclui a reprodução de uma prancha no tamanho em que foi desenhada originalmente (40 x 60 cm), a que se deve apontar o facto de ter “apenas” pouco mais de quatro dezenas de pranchas…
Depois, principalmente, porque Krazy Kat, publicada entre 1913 e 1944 - nas belíssimas e inigualáveis pranchas dominicais coloridas só a partir de 1935 -, é um clássico incontornável, de uma modernidade surpreendente. Apesar de as personagens se limitarem praticamente aos três vértices de um estranho triângulo amoroso composto por uma gata (às vezes gato?!) – Krazy Kat - apaixonada por um rato – Ignatz -, que só deseja atirar-lhe tijolos à cabeça, o que faz com que seja preso pelo cão guarda – Pupp – que por sua vez suspira por Krazy. E da sua trama se reduzir à exploração das várias formas como um tijolo pode ser lançado e das várias maneiras como pode atingir o(s) seu(s) alvo(s), sendo que no final de cada prancha auto-conclusiva Ignatz acaba (quase, quase) sempre na cadeia.
E tudo (ou só) isto decorre no cenário surreal de Coconino County, cuja paisagem muda de aspecto e configuração a cada vinheta. Literalmente.
Pelo meio, o autor consegue jogar com os códigos da própria BD, pondo as personagens a desenharem-se a si mesmas ou à própria história, dando o protagonismo a um capacho onde se lê “Bem Vindo”, usar pirilampos para iluminar a acção – parte dela – durante um eclipse ou não ser capaz de concluir a numeração das vinhetas…
Ou…
Comprem antes o livro, melhor dois livros (pelo menos), um para lerem, o(s) outro(s) para oferecer(em) e, como eu, vejam como noções como “tempo” e “espaço” não fazem sentido em Coconino County – deixam de fazer também para nós durante a leitura - e vivam a “experiência sensorial que deslumbra o espectador de hoje tanto como no seu tempo deslumbrou Picasso, Cummings e Kerouak, os quais viam nas suas páginas o cume da arte do século XX” como escreve Álvaro Pons na (inspirada) introdução e tornem possível que depois desta (tão curta) selecção, venha outra mais alargada ou até, Kem çabe, a Kolecção Kompleta de Krazy Kat Kompletamente Restaurada…

Ah! E já agora, peçam o livro directamente ao editor, porque funcionando como (não) funciona o mercado e a distribuição em Portugal, é possível que de outra forma não o consigam antes do Natal…

5 comentários:

  1. Pedro, sabes se já saiu o Haggar vol.3?

    Abraço

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  2. Não saiu nem está para sair em breve, tanto quanto sei. Para além deste Krazy Kat, a Libri Impressi lançou recentemente o segundo volume de Ferd'nand (ver aqui: http://asleiturasdopedro.blogspot.com/2009/10/sugestao-de-leitura-ferdnand-retorna.html) e o Tarzan dos Macacos, com a condensação da novela de Edgar Rice Burroughs ilustrada por Harold R. Foster.
    Abraço!

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  3. Ok... obrigado Pedro! Tou a ver que vai ser mais uma obra incompleta em português...

    Abraço

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  4. Olá de novo, Bongop!
    Peço desculpa se a minha resposta te induziu em erro; o que eu quis dizer foi que o 3º volume do Hagar não está previsto para agora; isso não invalida que venha a ser editado durante o próximo ano, por exemplo.
    Mas na BD - como em tudo o mais - se não é atingido um número mínimo de exemplares vendidos para viabilizar a edição, é complicado continuá-la.
    No caso do Lance, por exemplo, foi o "sucesso" da edição espanhola que garantiu a continuidade da edição portuguesa.
    Como a Libri Impresi só tem os direitos do Hagar para Portugal, terão que ser as vendas nacionais a viabilizar a continuidade da colecção...
    Abraço!

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  5. Venham ao nosso blog...
    kikasmile.blogspot.com

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