“E
agora, se isto fosse uma história num livro, o leitor exigiria uma
explicação... mas ao mesmo tempo, fugiria dela como da peste.”
In Le
Storie: Sangue e Gelo
Cheguei
a Le Storie - excepção para mim, juntamente com Dragonero,
nesta colecção Bonelli - como a maioria dos leitores: sem conhecer (nada d)a
série que, a exemplo da mítica Un Uomo, Un'Avventura,
utiliza contextos históricos reais para narrar aventuras
ficcionadas. Mas cheguei com grandes expectativas, geradas pelas boas
críticas que lhe fui conhecendo.
A
leitura confirmou-as.
[Posso ter escrito um pouco mais do que alguns desejavam sobre o enredo deste volume, embora pense que não o fiz; avancem acutelosamente, por vossa conta e risco...]
A
liberdade da temática e a atracção do pressuposto desta série,
lançada em 2012, inevitavelmente atraíu grandes autores - de dentro
e de fora do universo Bonelli para Le Storie, como é o caso
de Tito Faraci e Pasquale Frisenda neste Sangue e Gelo - pois
podem narrar todo e qualquer tipo de história. E até combinar nelas
várias temáticas.
Por
isso se torna difícil 'classificar' Sangue e Gelo.
Ambientada na Rússia, na derrocada da invasão napoleónica,
começa por ser uma narrativa histórica.


Entretanto,
os autores já deram nova mostra de originalidade. Um deles, o cabo
Écrienne, com vocação de escritor, está a narrar ao seu superior
- ao mesmo tempo que a nós - a história. A dizer(-nos) o que viram,
o que sentiram, como as coisas correram.

Graficamente,
este tomo de Le Storie é também distinto de todos os outros
desta colecção e do geral das produções Bonelli. Se assume o
preto e branco para a narrativa de Écrienne ao seu superior, no
geral da história predominam os cinzentos, diluídos e difusos,
ideais para mostrar o gelo (e a neve) que imperam nos cenários, aqui
e ali, pontualmente, de forma cirúrgica, manchados por
(literalmente) pequenos clarões vermelho alaranjados, provenientes
de um disparo, uma fogueira ou do fogo que, em liberdade, consome
indistintamente, em mais um belo exercício artístico (e narrativo)
de um Frisenda, cujo brilhantismo os portugueses já tinham
descoberto em Tex:
Patagónia.
Terminada
a leitura, ecoa a frase citada no início deste texto, que vinca o
final em aberto e a possibilidade de interpretação oferecida a cada
leitor, que, se por um lado o desesperam, sem as respostas
definitivas e as explicações que ansiava, tornam ainda mais
estimulante e sugestiva esta introdução (portuguesa) a Le
Storie, pela possibilidade de cada um 'escrever' a sua
conclusão.
Le
Storie: Sangue e Gelo
Tito
Faraci (argumento)
Pasquale
Frisenda (desenho)
Levoir/Público
Portugal,
10 de Maio de 2018
190
x 260 mm, 120 p., pb/cor capa dura
10,90
€
(imagens
disponibilizadas pela editora; clicar nelas para as aproveitar em
toda a sua extensão)
foi uma MUITO agradável surpresa!
ResponderEliminarSem dúvida!
ResponderEliminarBoas leituras!
A coleção original é um repositório de gemas, cada uma mais surpreendente que a outra. Vale bem a pena conhecer. Esta não desmerece, claro!
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