26/06/2017

Cage

Sentido de oportunidade





Vai acontecendo cada vez com maior regularidade: aproveitar pretextos externos para editar BD. Algo lógico e comercialmente inteligente mas que durante anos esteve ausente da edição de banda desenhada em Portugal.
Cage, associado à série homónima da Netflix é um exemplo recente.
[Michel Vaillant:Rebelião, cujo lançamento foi associado à presença ‘física’ dos carros da marca francesa nas recentes 24 Horas de Le Mans, é outro exemplo recente, mesmo que à (legítima) boleia da edição original francófona, numa abordagem sob outro prisma.]
A mini-série compilada neste volume – auto-conclusivo e sem pontas soltas, o que é sempre uma boa notícia – está bem longe do habitual registo super-heróico Marvel. [Tal como acontecia aliás, com a outra edição G. Floy ‘colada’ à Netflix, a muito aconselhável Jessica Jones:Alias].
A abordagem de Azzarello – sem surpresa – é feita pelo prisma do policial, espoletado pelo regresso forçado do protagonista ao bairro onde cresceu, para investigar a morte de uma adolescente, vítima colateral de um tiroteio.
Num relato centrado nos confrontos entre gangues, na corrupção política e nas lutas pelo domínio do local, entre três grupos de interesse diferentes, a investigação do assassinato vai levar Cage a mergulhar cada vez mais no submundo, nos seus podres e nos jogos de bastidores que nele se fazem, até chegar ao fundo e, num final bem construído, possivelmente na única ‘super-alusão’ nos deixar na dúvida sobre se o protagonista realmente é – ou não – invulnerável a balas…
O relato, de ritmo comedido e de alguma forma em espiral para nos aproximar progressivamente do final pretendido, é duro e directo, com insinuações e sexo q.b. e violência à discrição.
Quanto ao traço de Corben, confesso que não sou fã dele, numa embirração que já conta muitos anos, e este Cage, globalmente, não contribuiu para modificar a minha opinião. Isto, apesar de alguns bons apontamentos pontuais e de algumas cenas bem conseguidas, bem como de uma capa soberba – todas as capas dos comics originais, aliás, são muito boas – que justificava que este livro fizesse parte da entradaque dediquei a esse tema.

Cage
Brian Azzarello (argumento)
Richard Corben (desenho)
Jose Villarrubia (cores)
G. Floy
Portugal, Maio de 2017
175 x 260 mm, 128 p., cor, capa dura
ISBN: 978-84-16510-30-6
10,99 €

(imagens disponibilizadas pela editora; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão)

4 comentários:

  1. Não lhe achei grande piada. Não gostei do estilo "sujo" do tipo de desenho adoptado e a história, embora autocontida (e isso no universo telenovela dos super heróis é excelente para mim), não me atraiu grande coisa.
    A personagem só a "conheci" como sidekick no Alias (livro e não a série) e nem sei muito bem que poderes tem e como os adquiriu.
    Creio que faria falta (ressalvo, para mim), um volume qq nas várias séries Levoir, com o ínicio da personagem de forma a que me estabelecesse mais empatia.
    Dito isto tudo, ainda bem o foi editado.

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    Respostas
    1. Este saiu do spam antes de te queixares, pco69!

      É um livro que se lê bem, mas não mais do que isso. Digo eu.
      Quanto à inclusão da origem dos heróis nas colecções da Levoir, isso tem acontecido e na actual recente colecção da Mulher Maravilha até tiveste direito a DUAS origens! Porque, nos catálogos Marvel e DC Comics esse seria depois um problema: que origem publicar? A primeira? A mais recente? A mais mediática? A mais comercial?
      Boas leituras!

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  2. Com as publicações de alias, cage e punho de ferro espero que a netflix dedique o seu catalogo a algo do demolidor (bendis ou brubaker) ou os dois :) e também algo ao punisher (fase do ennis em 2 volumes em 1 estilo uncanny x men)
    De louvar o trabalho que tem feito

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    1. a gfloy dedique o seu catalogo* :D

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