É
sempre fascinante saber o que os heróis julgam
que a bondade é
Não
fui confirmar mas quase de certeza que já escrevi a propósito desta
colecção - e a declaração é extensível a outras... - que a
maior ou menor empatia que temos com o (super-)herói que protagoniza
cada volume, torna mais interessantes ou menos aliciantes estas
narrativas curtas.
Já
o escrevi por aqui alguma vez, com certeza: um dos grandes prazeres
da leitura é pegar num livro sem expectativas - ou pior, com as
piores delas... - e ser surpreendido. Foi o que aconteceu com esta
obra que aplica o 'conceito' Preto,
branco & sangue aos
Marvel
Zombies, de
forma muito bem conseguida e para lá do expectável.
Black
Rowan e Morgan Chaffey são parceiros na polícia de Portsmouth. A
sua relação tem anos e prolonga-se para lá do trabalho, no domínio
particular, abrangendo a mulher dele, grávida do primeiro filho. A
relação de ambos, com a profunda confiança que o trabalho obriga,
é uma profunda amizade, que esvazia a evidente atracção sexual
entre ambos.
Em entrevista recente, Luís Louro manifestava a sua preferência por séries porque permitem "ir conhecendo (...) as personagens de um modo mais consistente". Se essa familiaridade dos protagonistas com o
leitor se torna real e possibilita uma identificação total ao ponto
de antecipadamente sabermos o que nos espera e como as personagens
irão actuar
nas situações que terão de enfrentar,
por vezes os autores gostam de dar a volta - o que só enriquece as
séries e as suas galerias de protagonistas. É o caso desta
quarta entrega de Reckless
em
que, de repente, tudo o que dávamos por certo e seguro parece
ausente, forçando-nos a entrar na história como pela primeira vez.
Para um autor -
ou vários, como geralmente acontece na banda desenhada - no âmbito
de uma série, uma das coisas mais difíceis é construir um universo
que, a um tempo, faça sentido, seja coerente e crie habituação no
leitor para que, a cada novo regresso, saiba o que esperar.
Com
a leitura das primeiras páginas deste livro, veio-me à memória uma
pergunta - lida/ouvida? quando? Onde?… Esta: ‘Serão
os deuses imortais?’, mas relativamente
aA Velha Guarda,
a questão parece inverter-se
‘São os imortais deuses?’.
Depois
de Indeh: Uma história das guerras apaches,
o actor, realizador e também argumentista de BD Ethan Hawke
regressou a esta arte - e agora ao catálogo português da G. Floy -
com Meadowlark. E se as semelhanças terminam na renovada parceria com Greg Ruth, a
verdade é que mais uma vez deparamos com uma obra intensa e
desafiadora, quase apenas diálogo, directo ou intuído, entre um pai
e um filho, num romance gráfico que se desenrola num único dia,
aliás quase só do nascer ao pôr-do-sol.
‘Talvez,
no final da história, baste recordar o milagre que foi ter-se
simplesmente vivido.
In
As muitas mortes de Laila Starr
Nomeado
em diversas categorias para alguns dos mais relevantes prémios
norte-americanos e francófonos, As
muitas mortes de Laila Starr
tem já a devida edição portuguesa, antecipadamente anunciada pela
G. Floy e
lançada na primeira edição do Maia BD.
Depois
de Caim e Abel, Jason Aaron e r. m. Guéra voltam à história
bíblica, para nos falar de “...quando os filhos de Deus se
uniram às filhas dos homens e delas tiveram filhos…” A
espera foi longa - demasiada, até - mas valeu indubitavelmente a
pena, como tento explicar já a seguir.
Amigo do
Diabo,
segundo volume da série Reckless,
acabado de editar em português pela G. Floy, de alguma forma combina
a autobiografia, por força do regresso do argumentista Ed Brubaker
às suas próprias recordações, com a ficção sociológica de tom
policial, devido ao
mergulho num passado colectivo que pertence a todos os que viveram os
horríveis anos 80…
Regresso
às obras com histórias curtas que de forma continuada me servem
para aproveitar
espaços de tempo igualmente curtos, desfrutar
de pequenos
interlúdios entre tarefas, aligeirar alguma pressão ou aproveitar
tempos mortos. Depois
de
uma
abordagem recente
aqui,
em As
Leituras do Pedro, trago
hoje um novo quarteto de
edições em tudo díspares das anteriores.