Decorreu no passado fim-de-semana a quarta edição do Maia BD, o certame mais a Norte dentro deste género artístico, mas que indubitavelmente se tem vindo a afirmar como um dos mais destacados a nível nacional. Diria mesmo que, considerando a programação, as exposições, o lote de convidados e as condições que o espaço - o Fórum da Maia - apresenta é já - pelo menos - o segundo a nível nacional.
E escrevo ‘pelo menos’ porque, para ir mais além, necessitaria eventualmente de (‘pelo menos’) um grande nome e de exposições encenadas que lhe dessem um carácter mais popular.
Mas acredito que, menos por impossibilidade e mais por opção, o Maia BD assume um carácter eclético, equilibrado entra a produção nacional e as linhas mestras do que se faz internacionalmente, não abdicando de espreitar propostas mais independentes e abordagens desafiadoras, mesmo que mais marginais e alternativas - sem excessos, entenda-se - priorizando a qualidade à quantidade e ao espectáculo.
Exposições
Em termos de exposições - que convém vincar mais uma vez que continuam patentes até 13 de Julho e será um crime não aproveitar essa extensão no tempo para as visitar - é difícil saber por onde começar. É verdade que as montagens são sóbrias, mas têm bom gosto e destacam o fundamental: os originais dos autores. Se a qualidade de Pasquale Frisenda, Chloé Cruchaudet, Filipe Andrade, Ricardo Cabral ou dos desenhadores de Elric dispensa adjectivos, há dois núcleos de visita obrigatória.
Por um lado, Vozes do Irão: Desenhar pela liberdade, por variadas razões, da distância física e desconhecimento, à questão da actualidade e características documentais, é uma das grandes exposições do Maia BD 2026. Com pranchas de autores iranianos como Marjane Satrapi, Mana Neyestani, Mansoureh Kamari ou Shaghayegh Moazzami, para citar apenas os que estão editados no nosso país, ilustra como estes criadores, forçados ao exílio, traçam um retrato da situação no seu país, das perseguições a que foram sujeitos e das mudanças provocadas pela chegada ao poder dos aiatolá, obrigando a uma reflexão e mostrando o potencial da banda desenhada para lá do simples entretenimento.
A outra grande mostra é a dedicada aos 50 anos da Fantagraphics, que reúne originais dos Peanuts, Dick Tracy ou Tio Patinhas a par de pranchas de Tardi, Pratt, Daniel Clowes ou Robert Crumb - e são muitos os que deixei por citar. Incontornável, no mínimo.
E atenção, porque há mais para além das citadas, incluindo uns soberbos originais de Hermann na justa homenagem que o Maia BD lhe decidiu prestar.
As óptimas condições do edifício, em termos de espaço, circulação e luminosidade são uma mais valia, a que se deve acrescentar os dois excelentes auditórios.
Autógrafos
E, inevitavelmente, o espaço exterior onde decorrem as sessões de autógrafos, a Feira do Livro e a Artist Alley que, com as temperaturas agradáveis que estiveram e sem visita de chuva se torna um espaço extremamente agradável.
Em especial no sábado, foram muitos os que acorreram, obrigando o rigoroso e meticuloso (e, no final, esgotado) Pasquale Frienda a turno duplo de 4 horas!, solicitando repetidamente Dawid, Brémaud, Blondel e Poli e, acima de todos, a dupla Filipe Andrade/Ram V., cuja fila interminável obrigou a prolongamento no stand da Kingpin Books. Foram certamente as figuras maiores de um lote de meia centena de autores que passou pelo Maia BD e se revelaram extremamente simpáticos e atenciosos.
Como senão, habitual e de difícil solução, a coexistência no tempo de autógrafos e conversas, que acaba por deixar estas últimas com menos gente do que os autores e moderadores mereciam.
Ainda no que respeita a autógrafos, eis os que consegui:





















































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