Começar mal… outra vez
A
Colecção Integral Astérix está de volta. Pela terceira?
quarta? Quinta vez? Para o bem e para o mal.
Para
o mal, porque haveria com certeza outras colecções semelhantes que
os leitores portugueses generalistas - e é a eles que a colecção
se dirige primeiramente - ainda não tiveram oportunidade de fazer.
Para
o bem, porque é sinal que a BD - Astérix, muito particularmente -
continua a vender.
A colecção
Não vou repetir o que escrevi em ocasião semelhante, há meia dúzia de anos. Mas parece-me - a julgar por este primeiro número, O Combate dos Chefes, com preço inferior ao do álbum de lançamento de há 6 anos(!) - que os principais problemas que apontei então (e podiam ser revistos) - falta de cuidado na revisão dos extras, colecção incompleta - foram corrigidos. Por isso, esta nova verão ‘integral’ conta os 41 álbuns de BD existentes à data - incluindo Astérix na Lusitânia - e ainda 7 álbuns ilustrados, entre eles O Império do Meio que só estará à venda no final do corrente ano.
O Combate dos Chefes
Este não é uns meus álbuns de Astérix - de Goscinny - favoritos. Juntamente com Astérix nos Jogos Olímpicos e Astérix e o Caldeirão constituirá mesmo, provavelmente o Top 3 das piores histórias que Goscinny escreveu na série, mas é tudo uma questão de gosto, obviamente. Este é o meu, mas suponho que haverá mais leitores a pensar o mesmo.
Isto não invalida a sua escolha para iniciar esta colecção, uma vez que é a narrativa que serviu de base à mais recente - de há um ano e pouco - animação da personagem, por isso será aquela que estará mais próxima dos não-leitores tradicionais de Astérix.
Na sua origem, está uma antiga tradição gaulesa (?) que assentava no facto de, após um combate entre dois chefes, o vencedor ficar a chefiar não só a sua aldeia, mas também a do vencido. Com esta base, os romanos propõem a um chefe romanizado que desafie Matasétix para um combate singular. O grande obstáculo, a poção mágica Panoramix, aparentemente é ultrapassado quando, por acidente, o druida perde a memória quando leva com um menir em cima - e não há outra forma de o escrever.
Com Uderzo ainda à procura do traço que o levaria a tornar-se um dos maiores desenhadores da sua geração, Goscinny - mesmo menos inspirado, digo eu... - revela o seu génio, em especial nalguns trocadilhos brilhantes ou na crítica social patente num álbum em que, na verdade, a temática de base é o colaboracionismo que, aparentemente, ainda afetava a sociedade francesa, 20 anos após o final da Segunda Guerra Mundial. Voltando um pouco atrás, a título de exemplo, vejam-se os jogos de palavras na sequência em que os romanos são enviados para a floresta para tentar capturar Panoramix, a série da consultas que têm lugar no consultório do druida Amnésix, ou a batalha final, finamente comentada... Para além disso, ao longo das páginas, há alguns piscares do olho que o leitor atento conseguirá descobrir.
E, porque não dizê-lo ainda, pelo belo final que mostra que, realmente, os gauleses em geral, e Matasétix em particular, só têm medo de uma coisa: que o céu lhes caia em cima da cabeça.
Numa história que começou a publicar-se em 1964, uma nota para as ausências, que alguns estranharão, do peixeiro e do ferreiro, que se tornariam depois figuras tutelares da série.
E, sim, eu sei, apesar de - TUDO ISTO… e mais - é dos álbuns do Astérix de Goscinny que menos me agrada…
O
Combate dos Chefes
Colecção
Integral Astérix #1
René
Goscinny (argumento)
Albert
Uderzo (desenho)
Salvat
Portugal,
Agosto
de
2026
225
x 295 mm, 64 p., cor, capa dura
1,99
€ (preço
especial de lançamento)
(imagens disponibilizadas pela Salvat; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão; clicar nos textos a cor diferente para saber mais sobre os temas destacados)

Pedro, desculpe-me mas não referiu o principal ponto polémico nesta colecção, que é o facto de a Salvat ter baralhado a numeração dos livros. Ou seja, quem já comprou a edição anterior (os otários como eu), ao ler a notícia oficial da Salvat, pensou logo: "Fixe! Como já tenho a edição passada, irei comprar apenas os números que me faltam, pois devem ser os últimos!".
ResponderEliminarOra, a Salvat, em desconsideração total aos "lombadistas" como eu, resolveu relançar esta colecção com números trocados, misturando livros novos com os antigos, esperando que os otários como eu voltem a comprá-la toda. Ou seja, em vez de comprar a meia dúzia de livros finais, irei comprar ZERO!
O mais engraçado deste comentário é aparecer "Anónimo" e todos sabermos que és tu Nuno Cunha
EliminarA questão da numeração baralhada está referida no texto anterior. E na verdade, as edições de banca, pelo seu espírito, são para ser feitas na altura, não 'aos poucos'...
EliminarBoas leituras!
Olá! Fui eu quem respondeu como anónimo.
EliminarFi-lo porque respondi no portátil da minha empresa, que não me deixa usar nada do Google. Nem sei quem é esse Nuno Cunha, para ser honesto.
Pedro, peço desculpa, se referiu a numeração, não reparei e garanto-lhe que li e reli o que escreveu...
Sem problema Daniel. Obrigado pelo comentário. A questão da numeração está referida no texto anterior para que remete o link no início.
EliminarBoss leituras!
Chamaram-me a atenção para este artigo do Pedro Cleto, por causa de um comentário de um certo anónimo. Pedro, desculpa a intromissão mas gostaria de clarificar algo... Caríssimo, sejas lá quem tu fores, eu NUNCA comento em anónimo, seja em sites ou redes sociais. Não há necessidade. As minhas opiniões são sempre públicas. E sobre este assunto, ainda há relativamente pouco tempo falei num vídeo da CentralComics ( https://youtu.be/owT_OIMPzCM?si=Yn6Pu4EWULNhGrrB ). Ainda bem que o Daniel clarificou essa situação. Um abraço a todos.
EliminarSem problema, Nuno.
EliminarBoas leituras!
Da minha parte, sou vou comprar Astérix na Lusitânia por curiosidade de ver o dossier dos extras, quanto ao resto já tenho quer na coleção anterior , quer nas edições posteriores da ASA. Fica para os (hipotéticos) novos leitores...
ResponderEliminarPois, ainda não é desta que sai o Vagabundo dos Limbos! ou Luc Orient... sempre as mesmas séries requentadas...
ResponderEliminarEu diria mesmo que esses nunca serão. Uma colecção deste género tem de servir o público generalista. Atrevo-me a dizer que tirando Lucky Luke ou talvez Michel Vaillant, será difícil imaginar outra em português...
EliminarBoas leituras!
Gostaria de ver o Spirou!
EliminarEra uma boa sugestão, mas não sei se a personagem é suficientemente popular no nosso país para ser concretizada.
EliminarBoas leituras!
Uma do Lucky Luke com a fase Morris/Goscinny, para não ser muito longa era uma bela ideia ..
ResponderEliminarSim, um Lucky Luke Must Have era fixe, não é preciso re-editar os 41 albums, digamos talvez uns 10, com inclusão do A Diligência; O Caçador de Prémios; O Juíz; Calamity Jane; Dalton City; O Imperador Smith; Ma Dalton, etc... o melhor da parelha Morris/Goscinny, muitos já estão esgotados.
EliminarAcho que até os 1s volumes da nova fase do lucky luke também estão esgotados na asa e sem reedições....
EliminarAs colecções de banca não podem ser muito curtas, para compensar o investimento. 10 álbuns nunca seria opção...
EliminarBoas leituras!
Err podiam misturar como fizeram a uns anos com a fase clássica já eram mais de 10
EliminarE uma coleção que nunca ficará completa como Tintin porque nunca vão parar de editar novos álbuns....
ResponderEliminarSim, há a fase Morris, depois Goscinny Morris, depois Morris com diversos argumentistas, depois as novas aventuras do Achdé com vários argumentistas. E as séries paralelas (Rantanplan, Kid Lucky)... E os Lucky Luke de autor...
EliminarSeria uma enorme lombada! 😃
Boas leituras!
É dar tempo a salvat montar se Transformers ,DC e Marvel tiveram é esperar que o sortudo mais rápido do oeste a tenha....
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