Depois
de L’Hôte
(datado de 2009, inédito em português) e de OEstrangeiro
(2013, edição Arcádia), O
primeiro homem (2017)
é a mais recente incursão de Jacques Ferrandez na obra do seu
conterrâneo Albert Camus e
na Argélia, pátria comum dos dois, sendo evidente nas suas obras a forte ligação que
têm com ele.
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10/05/2019
O primeiro homem
Leituras relacionadas
BD e literatura,
Camus,
Ferrandez,
opinião,
Porto Editora
07/01/2015
O estrangeiro
Segundo a obra de Albert Camus
Li O Estrangeiro,
de Albert Camus, por volta dos 20 anos e foi um livro que na altura me marcou
bastante.
Tanto, que não me consegui libertar dessa memória para ler a
sua adaptação em banda desenhada por Jacques Ferrandez.
05/11/2014
Leitura Nova: O Estrangeiro
Chega hoje às livrarias portuguesas, numa edição da Arcadia, O Estrangeiro, uma adaptação de Jacques Ferrandez, da obra original de Albert Camus.
A nota de imprensa da editora para ler já a
seguir.
13/07/2011
Rotas e Percursos
O Público e a ASA apresentam a partir de hoje, em exclusivo, uma colecção de 7 Guias de Viagem, cada um ao preço de 8,90 €, com diversos percursos alternativos, ilustrados por grandes mestres da BD e escritos por autores de grande reputação na literatura de viagens. Descubra os locais secretos e desconhecidos de cada cidade, fugindo aos tradicionais percursos turísticos e fique a saber mais sobre a cultura das suas cidades preferidas: Veneza, Roma, Nova Iorque, Florença, Marraquexe, Praga e Bruxelas.
Com recurso ao Kuentro, aqui fica a lista completa desta colecção:
Com recurso ao Kuentro, aqui fica a lista completa desta colecção:
13 de Julho
Veneza - Percursos com Corto Maltese
20 de Julho
Roma - Percursos com Alix
Jacques Martin – Gilles Chaillet - Enrico Sallustio - Thérèse de Cherisey
27 de Julho
Nova Iorque – Percursos
Miles Hyman - Vincent Réa
3 de Agosto
Florença – Percursos
Nicolas de Crecy – Élodie Lepage
10 de Agosto
Marraquexe – Percursos
Jacques Fernandez - Olivier Cirendini
17 de Agosto
Praga – Percursos
Guillaume Sorel – Christine Coste
24 de Agosto
Bruxelas – Percursos
François Schuiten – Christine Coste
04/12/2009
BD e Literatura - L’Hôte

Galimard (França, Novembro de 2009)
235 x 315 mm, 62 p., cor, cartonado
Resumo
Este álbum baseia-se num conto de Albert Camus, retirado de “L’Exil et le Royaume”.
É a história de um preso acusado de ter morto um familiar, que é entregue a um professor para este o levar até à prisão. Por pano de fundo tem a (sombra da) guerra (de libertação) da Argélia.
Desenvolvimento
Aliás, pode bem dizer-se que a Argélia protagoniza esta (estranha) história, de tal forma ela é omnipresente, quer nos grandiosos cenários com que Ferrandez enche as páginas em que a acção se desenrola, quer como contexto sociopolítico de fundo, quer como matriz cultural das (poucas) personagens envolvidas. E, principalmente, na forma como a narrativa, pausada, quase muda, respira (e transpira) o país.
Algo quase inevitável em Camus – argelino de naturalidade e de vocação – como salienta Boualem Sansal na introdução em que defende a necessidade de releitura das obras do autor longe dessa sombra, para as valorizar mais.

O local central de “L’Hôte”, é uma pequena escola, perdida numa inóspita região montanhosa, onde um professor – branco, mas argelino – lecciona – e ajuda, e alimenta, e compartilha o que tem com – os poucos alunos que se recusa a abandonar, mesmo sob a ameaça do confronto civil.
A sua paz, é quebrada pela chegada de um polícia, com quem tem um laço familiar e afectivo forte, que o vem requisitar para ir entregar o preso – um indígena, se assim se me permite escrever - que o acompanha numa prisão a um dia de distância – a pé – porque a situação de tensão social o impede de o fazer pessoalmente. Apesar da recusa passiva do professor, o preso é-lhe entregue.
O resto da trama – o final desse dia, a noite e algumas poucas horas do dia seguinte – decorre numa situação de tensão latente entre duas formas de viver e pensar diferentes, embora com mais pontos de contacto do que inicialmente se suporia. Tentando tratar o preso com humanidade - como igual, algo impensável então – deixando-o livre e a dormir no mesmo quarto, o professor não deixa de temer pela sua vida. O preso, receoso do que o espera, não compreendendo a atitude de quem agora o escolta, também surge algo perdido numa situação que não buscou.
Após o pequeno-almoço, partem para o destino – a prisão anunciada. Aparentemente, porque o propósito do professor é diferente, como o demonstra ao chegarem a um local onde deixa ao detido escolher o destino: a cidade onde está a prisão ou a liberdade junto das tribos nómadas
Não vou revelar a escolha, nem as consequências (eventuais) dela para o professor – e são estas que marcam sem dúvida o tom do relato, que é antes de mais uma ode à liberdade, ao direito ao livre arbítrio e ao desejo de conviver com a diferença. Apesar do tom pessimista desse mesmo final, sem dúvida uma das marcas fortes da escrita de Camus.

As excepções são os dois diálogos – do polícia com o professor e deste com o detido – aparentemente simples e directos, mas com inúmeras implicações de vária ordem, que obrigam a uma e outra releitura para interiorizar completamente o peso das palavras e, mais ainda, dos incómodos silêncios que as permeiam.
A reter
- A forma como a Argélia – a sua paisagem, o seu espírito(?) – se impõe na planificação e está interiorizada na narrativa de Ferrandez.
- O final, forte, inesperado, imprevisível, que reforça a sensação de solidão e impotência que são permanentes ao longo do conto.
Menos conseguido
- A forma menos feliz como estão desenhados os protagonistas, algo rígidos e pouco expressivos.
Leituras relacionadas
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Gallimard
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