04/12/2019

A Novela Gráfica 2019 preferida foi...




… de acordo com a sondagem promovida por As Leituras do Pedro junto dos seus visitantes, de forma surpreendente, confesso, Dias Sombrios, de Juan Escandell e Lluís Ferrer Ferrer.
Trata-se de uma narrativa sobre um episódio real acontecido durante a II Guerra Mundial, em Maiorca, Espanha, em que o veterano Juan Escandell adapta um romance de Lluís Ferrer Ferrer.
Esta obra recolheu cerca de 15 % dos votos expressos e teve a preferência de quase um terço dos 186 votantes que responderam à pergunta Qual o melhor livro da colecção [Levoir/Público] Novela Gráfica 2019? E relembro aqui que cada votante podia seleccionar o número de obras que desejasse, embora idealmente devesse votar num máximo de 3. Na prática, em média, cada um dos votantes escolheu 2 livros.
Em segundo lugar, a pequena distância, numa luta feita taco a taco, A Febre de Urbicanda, de Schuiten e Peeters, suplantou O Tesouro do Cisne Negro, de Paco Roca e Guillermo Corrall, por apenas um voto (50 contra 49, 13 %, 27 % / 26 %). Seguiu-se, também a pouca distância Gorazde Área de Segurança, de Joe Sacco (45, 24%, 12%).
A votação completa pode ser vista no quadro seguinte.


Quanto à segunda pergunta, Quantos livros da Novela Gráfica 2019 comprei?, praticamente metade dos 143 votantes assumiram ter comprado todos os livros. Curiosamente, um número significativo (20, 14 %) declararam não ter comprado nenhum!
Fazendo uma extrapolação dos resultados é possível afirmar que os 143 participantes nesta sondagem compraram, em média 8 livros da colecção (61 %) - ou 10 (76 %), se excluirmos da contabilidade aqueles que não compraram nenhum livro.
Também aqui fica o quadro completo desta votação.


Resta agradecer a todos os que participaram e reler ou (re)descobrir (alguns d)estes livros, enquanto aguardamos pela (expectável) colecção Novelas Gráficas 2020.
Boas leituras!

(clicar nas imagens para as aproveitar em toda a sua extensão; clicar nos textos a cor diferente para saber mais sobre os livros destacados)

20 comentários:

  1. também fiquei surpreso...Volta e meia ia vendo como estavam as votações, e os "Dias Sombrios" dispararam para o topo assim de repente.

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  2. Claramente houve um esforço por parte dos autores ou de grupo à volta deles para apelar ao voto no Dias Sombrios. Interessantemente, parte deles tiveram a honestidade de dizer que não tinham comprado nada! Seria interessante saber se os votos (em percentagem) no Dias Sombrios corresponderam aproximadamente a acessos vindos de Espanha (se bem que, claro, com uma VPN isso poderia estar ocultado).

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    1. De certeza que há essa correlação entre "não comprar nada" e "votar nos Dias Sombrios"?
      Sempre que dava uma olhada às votações - e antes da "vaga" de votações n' "Os Dias..." -, já a percentagem de respostas "Nenhum" estava próxima do actual.
      Pelo menos, é a ideia que tenho...

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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    3. Em relação às votações, há uma diferença de cerca de 40 votos entre as duas perguntas feitas, o que significa que desde o início houve quem respondesse à primeira pergunta mas não à segunda. Essa diferença foi subindo ao longo dos dias, mas não significa que quem eventualmente votou no Dias Sombrios tenha afirmado não ter comprado nenhum livro.
      Com os meios do Blogger, não consigo determinar a origem dos votos nem limitar a mais do que uma participação cada votante, sabendo todos nós como isto é fácil de contornar...
      Boas leituras!

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  3. Espanholada por espanholada mais valia o Serpentes Cegas, estes que viciaram os resultados devem ser Franquistas, explica o voto numa obra de vertente nacionalista.

    Posto isto já reeditavam as Falanges da Ordem Negra de Bilal/Christin, está a pedir uma edição de capa dura e bom papel com legendas decentes. O tema continua na ordem do dia, das obras da parelha Bilal/Christin é das que envelheceu menos.

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  4. Há que analisar, também, o "elefante na sala":
    Segundo a sondagem, mais de 1/3 de quem respondeu comprou entre 0 e 4 livros.
    Ora, 1/3 no pequeno universo de quem compra BD, em Portugal e no "ainda mais pequeno Universo" de quem compra "novelas gráficas" em Portugal parece-me significativo.
    SE CALHAR, há que pensar na futura periodicidade e/ou extensão desta colecção.
    Sendo que a grande maioria dos compradores são "os mesmos, que compram tudo" (onde me incluo).
    Muitas vezes, nem é uma questão de dinheiro, é uma questão de espaço: quem comprou TUDO, neste momento, já tem 67 livros. Fora as "fora de série", que já são à volta de 6 ou 7...
    Mas, não desmerecendo a iniciativa do Pedro, as sondagens valem o que valem.
    E, mesmo num universo tão pequeno, com um espaço amostral ainda mais pequeno (e, pelo que li acima, contaminado) as conclusões, provavelmente, são pouco fidedignas.
    Provavelmente. Podem até ser.

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  5. Eu continuo a achar que só deveria poder votar na melhor quem respondesse que comprou todos ou quase todos ou colocar uma nota para que so votasse na melhor se conhecer mais de 75% das obras (há quem já tenha outras edições)

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    1. Tecnicamente não o consigo fazer...
      Boas leituras!

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  6. E qual é o problema de haver alguém que se deu ao trabalho de "aldrabar" a sondagem do Pedro? Ou de haver quem vota sem ter adquirido todos os livros?

    Aliás, eu comprei todos os livros de todas as coleções NG, mas o ter comprado tudo não quer dizer que as tenha lido todas. Aliás, creio que provavelmente haverá ainda alguma da primeira ou segunda séries não lidas, mas isso não me impediu de votar com base nos que li. E se isso influenciou algumas das sondagens do Pedro... aqui me penitencio :-)

    E relativamente à(s) coleção(ões), creio que continuarei a comprar todos os que a Levoir decida editar. São de capa dura e papel de boa qualidade. A maioria das obras são tabém de boa qualidade e algumas são mesmo excelentes e que se não fossem editadas desta forma, não seriam editadas (em Portugal) de todo.

    Se gostava de mais obras de outras proveniencias que não tanto Espanha? Sim. Mas que já li excelente obras de Espanha que não leria de outra forma, também é uma verdade.

    E aparentemente, agora a Seita irá editar de outras proveniencias (Bonneli e não só) a AdA e AdL começam a ter um ritmo interessante a editar F.Belga, pelo que se Levoir continuar a trazer boas obras espanholas, só temos a ganhar.

    Já agora, uma pequena nota) também seria bom que a Levoir funcionasse nos dois sentidos, editando boas obras portuguesas do lado de Espanha.

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    1. Os espanhóis estão a anos-luz de nós no que trata a produção de BD, não necessitam daquilo que nós fazemos para nada.

      Podemos fazer um exercício, o que em termos de produção nacional dos últimos 10 anos poderia figurar no género de colecção da Novela Gráfica?

      Os Vampiros? O Cavia é Argentino, não dá, mais? Living Will, de André Oliveira a e Joana Afonso? estaria de acordo, e já podeia sair num só volume, mais? isto não é subjectivo, tem de ter algum nível, ser uma BD gira não serve, pode ter conteúdo profundo sem ser artsy.

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    2. A questão tem que ver com o tamanho do mercado. As edições/tiragens em Portugal não são suficientes para remunerar um autor português pelo seu trabalho num livro de BD. Alguns livros são financiados de outras maneiras, e é por isso que mesmo assim vão sendo editados alguns livros, e noutros casos é o facto de que os autores portugueses gostam de fazer BD, por amor à camisola, mas o resultado disso tem duas consequências principais:

      Por um lado, os autores portugueses não se podem dar ao luxo de produzir MUITA BD porque têm de pagar as contas com outros trabalhos e actividades (ilustração, animação, publicidade, etc...).

      Em segundo lugar, os álbuns de autores portugueses não ultrapassam geralmente um certo tamanho, porque já produzir 70 a 75 pranchas leva anos no sistema de part-time/hobby que é o que os portugueses têm necessariamente de seguir para produzir BD, quanto mais 100 ou 150 pgs.

      Mas vejam-se alguns dos livros lançados nos últimos 12-15 meses: Watchers, Zahna, Filhos do Rato, O Outro Lado de Z, Mar de Aral, Tangerina, Toutinegra, A Assembleia das Mulheres, Andrómeda, Sentinel. Não me parecem uma má selecção, na maioria são livros com bastante qualidade.

      E a produção de autores portugueses representa c. de 15% do total dos livros editados em Portugal. Não me parece mau dados os constrangimentos com que os autores portugueses trabalham.

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    3. Finalmente: a Levoir não edita em Espanha. A sua actividade editorial circunscreve-se a Portugal, com excepção de projectos associados a jornais, que produz pontualmente em Espanha e nalguns países da América Latina. Embora a dona da empresa, Sílvia Reig, seja espanhola, vive em Portugal e a Levoir é uma editora portuguesa, activa essencialmente cá.

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    4. Sem dúvida, são universos diferentes.

      Espanha tem quê? 5 vezes mais habitantes que Portugal.

      Tem mais autores, mais famosos internacionalmente do que nós.

      Estou a dizer que não teriam interesse no que temos para exportar neste âmbito, concedo que haveria alguma curiosidade mas também existe muito preconceito à mistura mais por parte deles, do que de nós.

      Quando puto eu lia o Totem, El Vibora e não sei mais o quê, estamos no final dos anos 70 e inícios de 80 e tinham aquele material todo estimulante, nós comparativamente parece que os estamos a apanhar apenas agora com uma diferença de 40 anos.

      Não tem nada a ver.

      Jean Giraud disse uma coisa há um tempão, acho que numa entrevista com o Vasco Granja, nem sei se em Angouleme, ele disse que a BD é um fenómeno de países ricos, ou algo assim, e é verdade, é preciso dinheiro, os artistas precisam de se dedicar à arte para gerar obras sem se preocuparem demasiado com a sua subsistência.

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    5. Correcto, um mercado tem de ter dinheiro e massa crítica para remunerar os seus autores. E mesmo assim... são quase semanais as notícias da pauperização dos autores de BD em França, p.ex., em que a menos que se seja uma super-estrela, é difícil de viver da BD. A diferença é que muitos autores "teimam" nesse mercado, porque se o livro for um êxito lá podem ganhar muito dinheiro.

      Em Portugal? Se o livro vender 3000 exs. um sucesso enorme, deve dizer-se, vai gerar o quê? 4000€? 4500€? de royalties? Ao longo de 2 anos ou mais?

      Espanha tem 4,5 x mais população que Portugal, mas eu uso um multiplicador de x5 por causa da diferença de dinheiro. Ou seja, se um livro vende cá 1000 exs. equivale a vender 5000 lá (+ ou -, claro, são generalizações). Ou seja, as c. 220 novidades de BD que saíram em Portugal em 2019 equivalem a c. de 1100 em Espanha. Mas em Espanha saíram quase 4000...

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  7. Relativamente a pessoas que não compraram a colecção toda e mesmo assim responderam, não me parece mal. Quem comprou p.ex. 4 ou 5 livros em vez dos 13 todos, também estava a fazer uma selecção e uma escolha, e presume-se que os que comprou são aqueles que iria preferir. Isso não me choca.

    O que me choca é que alguém arranje um monte de pessoas que votam num livro, e que não têm nada que ver com o assunto, por exemplo, são espanhóis e nem conhecem a colecção, simplesmente foram lá votar por indicação de terceiros. Um pouco o mesmo que se passou na votação do Prémio Amadora/Fnac, em que houve livros que receberam MUITOS mais votos do que a própria tiragem do livro (muitos múltiplos nalguns casos!), e em que claramente houve campanhas de votação organizadas por fãs para que se fosse votar em dados livros (claríssimo no caso do Angoa Djanga em que inclusive essas campanhas eram públicas, com apelos online, etc...)

    Obviamente que estas votações valem o que valem, mas este tipo de coisas desvirtua as votações e desacreditam tudo. Mais vale nesse caso nem fazer sondagens destas.

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    1. Desacreditam as votações fazem perder leitores.

      Também soube desta polémica.

      Resultado, não comprei apesar de até achar interessante, fui antes buscar o Kong the king, andava à procura de histórias sem diálogos, algo a que não estou habituado, ainda me falta uma que por sinal é antiga, "Ele foi mau para ela" do Milt Gross.

      Além de desvirtuar é porco, independentemente da qualidade da obra.

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    2. Sim. Mas digo isto independentemente da obra, porque o Angola Djanga é um grande livro, e na MINHA opinião (sempre muito subjectivo, claro) deveria ganhar ao Watchers, que acabou por ganhar.

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    3. O Watchers B.

      Sabendo quais foram os nomeados nem sei porque o Criminal não ganhou, nem tem adversários no grupo, mas pronto, estamos a falar de autores de língua portuguesa. Ok.




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  8. Das que comprei a que mais me custou a ler foi Gorazde: Zona de Segurança,demorei 1 mes e tal.

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