Ainda
sob o âmbito de um ano que foi pródigo em adaptações de obras
literárias em banda desenhada - Dom Quixote de La ManchaouO Vento nos Salgueiros
são dois títulos a reter e (re)descobrir -
abro 2026 [no
Jornal
de Notícias]
com
mais um exemplo: Coração
das trevas,
de Luc Brahy, baseado no romance homónimo de Josep Conrad, que deve
parte da sua fama ao facto de ter servido de base ao filme Apocalypse
now,
de Francis Ford Coppola.
Começo
hoje o Balanço de 2025, no que à BD diz respeito, aqui no blog As
Leituras do Pedro. De
forma invulgar, concordo, que alguns até poderão considerar
presunção ou no mínimo imodéstia mas, para mim, a edição de
2025 foi As Leituras do Pedro - 40 Anos
de Boas Leituras. Isso,
o meu livro. Obviamente num contexto muito pessoal.
Os
Túnicas Azuis (Les Tuniques
Bleues), com presença regular aqui no blog, são uma daquelas séries aparentemente intermináveis
mas que conseguem manter uma qualidade média muito assinalável.
Para além disso, apesar do seu inegável registo histórico,
constroem sucessivas pontes com a actualidade o que acaba por a
distinguir de outras que lhe poderiam ser equiparáveis.
Apesar
da aclamada proximidade e afinidade culturais, a banda desenhada
brasileira continua quase desconhecida entre nós. A
Turma
da Mônica,
há décadas distribuída em Portugal nas edições originais, é a
exceção que, honrosamente, a editora Polvo tem
tentado
contrariar através da sua colecção Romance
Gráfico Brasileiro.
O título mais recente, o 35.º do rol, é Como
pedra,
de Lucas Iohanathan, distinguido com o prestigiado prémio Jabuti, em
2023.
A banda desenhada portuguesa perdeu mais um dos seus veteranos: Carlos Baptista Mendes, o biógrafo dos heróis da História lusa partiu para o
paraíso dos autores de BD, contava 88 anos.
Nos últimos anos, José-Luís Munuera tem-nos proposto em banda
desenhada obras provenientes da literatura (Um conto de Natal,
Bartleby, o escriturário, A corrida do século), em
versões inspiradas e cativantes, que a Arte de Autor tem editado por
cá. A mais recente é este Peter Pan de Kensington, que se baseia em O pequeno pássaro branco (1902), de J. M. Barrie.
Sem humor, ou pelo menos sem o humor habitual das histórias de Lucky
Luke, apenas com um arremedo de humor triste que, mais do que sorrir
faz pensar, Lucky Luke - Dakota 1880 - uma clara alusão a
Arizona 1880 a primeira história criada por Morris - é a
mais recente variação de autor sobre as histórias do 'cowboy
que dispara mais rápido que a própria sombra', com edição
portuguesa de A Seita, tal como as seis anteriores.
O desenho ao lado - muito trabalhoso e inspiradíssimo, cliquem nele para o verem na dimensão que merece - é do Paulo J. Mendes, e foi feito para a contracapa do meu livro, As Leituras do Pedro - 40 Anos de Boas Leituras.
Os meus votos para o novo ano é que as boas leituras sejam o corolário de
um ano em que aqueles que dão sentido ao que eu vou fazendo por aqui tenham tudo
aquilo que mais desejam.