09/08/2011

Tex Gigante #23

Patagônia
Mauro Boselli (argumento)
Pasquale Frisenda (desenho)
Mythos Editora (Brasil, Outubro de 2009)
182 x 277 mm, 242 páginas, preto e branco, capa brochada
9,00 €

Resumo
A pedido de Mendonza, um antigo ajudante de Montales, Tex e o seu filho Kit deslocam-se à Argentina para servirem de intermediários entre o governo e os índios locais, tentando manter a paz numa zona conturbada.

Desenvolvimento
Fosse a bibliografia de Tex constituída apenas pelas edições gigantes (os italianos Textone) e o mais antigo western da BD mereceria igualmente um lugar de destaque na História das histórias aos quadradinhos, embora por motivos diferentes.
Apresentando um retrato (algo) diferente do ranger em cada número, não só graficamente mas também pela adequação (contida…) do herói ao estilo – gráfico, narrativo, temático - do autor convidado, esta colecção reúne algumas das suas melhores histórias e também algumas excelentes bandas desenhadas.
É o caso deste “Patagônia” – convém dizê-lo pois a introdução já vai longa – que se inicia com uma das melhores sequências a preto e branco que vi nos últimos meses: o ataque nocturno a um posto fortificado, com os intervenientes muitas vezes apenas silhuetas, mergulhadas numa neblina que os torna quase invisíveis, com a tensão crescente que vai culminar logo de seguida com a aparição atroadora dos cavaleiros e no massacre de uma aldeia indígena.
Mas, se este início é, a um tempo, surpreendente, pela localização da acção – a pampa argentina -, e prometedor para o resto do relato, de imediato vem o que eu considero o ponto mais fraco da história: o motivo para Tex deixar o seu território habitual para se deslocar ao outro lado do mundo, o que soa pouco credível, seja qual for o ângulo pelo qual se considere.
Mas, ultrapassada esta questão (que não é só de pormenor numa BD de tanta qualidade), mergulhamos num épico magnífico e intenso, no qual vamos assistir à luta de um povo pela sua sobrevivência, à custa de muita tenacidade, determinação, heroísmo, vontade de viver livre, sacrifício, sangue e (muitos) mortos.
Um épico – com uma forte componente histórica e realista - no qual Tex, embora tendo um papel importante, é muito menos interveniente do que é habitual, lutando contra forças superiores às suas, mesmo que para vencer elas utilizem métodos menos limpos e estratagemas pouco sérios, quando a sede de glória (?) se sobrepõe à justiça e quando os imperativos militares são mais fortes do que a amizade e a honra.
E se é verdade que nada disto é novidade em BD, nem sequer em Tex, a força, o carácter, a determinação que Boselli conferiu aos índios das pampas faz a diferença, transformando mais um western – porque o é, apesar da sua deslocalização! – num western diferente e marcante cuja leitura, com toda a certeza, não deixará ninguém indiferente.
Até porque, a o seu final – a batalha contra as tropas governamentais mas estreitas gargantas andinas atravessadas pelos indígenas na sua fuga pela liberdade rumo ao Chile - apresenta, de novo, páginas notáveis, passíveis de entrar em qualquer galeria de quadradinhos a preto e branco ao mesmo tempo que são das páginas mais violentas que eu já vi em Tex, pese o facto – ou exactamente por isso – de não conterem qualquer texto.

A reter
- A força do relato.
- A caracterização dos índios argentinos: fortes, determinados, dispostos a tudo pelos seus ideais.
- O limitado protagonismo de Tex, que deixa à narrativa tempo para respirar e desenvolver-se (quase) à sua revelia.
- O traço de Frisenda, soberbo nas sequências inicial e final, muito bom em quase todos os restantes episódios.

Menos conseguido
- O pretexto que leva Tex e Kit até à Argentina.
- O facto de a sua fama o ter precedido junto dos índios locais.

A ter em atenção
- Este álbum está actualmente disponível nas bancas e quiosques nacionais. Aconselho seriamente a sua compra. Aos fãs de Tex e – principalmente – aos que não o são.

(Texto publicado originalmente no Tex Willer Blog)

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