A
‘marcar o ponto português’ na nona série da colecção Novela
Gráfica,
A
Armação,
de Daniel Silvestre arrisca-se a deixar o leitor de pé atrás,
embora seja sem dúvida uma leitura muito
aconselhável.
Não
sei se Chabouté conhece - mas duvido… - o célebre slogan
acima, criado pelo Turismo de Portugal já lá vão mais de 30
anos, mas Partir, ficando é a sua ilustração perfeita,
levando o conceito a um minimalismo que pode ser considerado absurdo
mas que deverá servir para que - literalmente - abramos os olhos.
Novembro
de 1935, adivinha-se que o fim da vida de Fernando Pessoa está a
chegar e o Diário de Lisboa encarrega Simão Cerdeira, um jovem com
aspirações a escritor e jornalista, de cabelos rebeldes e calças
de golfe - evocação e piscar de olho a um outro repórter
desenhado...? - de preparar antecipadamente o obituário do poeta.
O
assinalável crescimento do mercado nacional de banda desenhada, para
além do fortalecimento dos segmentos dominantes de franco-belga e
manga, trouxe também a aposta de editoras que geralmente não se
dedicavam a este género narrativo e uma maior diversidade da oferta.
Com
O
Regresso do Capitão Nemo fecha
a sétima série da colecção Novela Gráfica,
possivelmente aquela em que as propostas foram menos consensuais e
mais desafiadoras - afinal um dos principais propósitos da Levoir ao
criá-la. E
fecha em beleza, com o mais recente livro de um dos mais fabulosos
livros que a banda desenhada já nos proporcionou, o d’As Cidades Obscuras,
editado em simultâneo com a edição original francófona.