Em
transição...
Publicação
de e para fãs, a Revista do Clube Tex Portugal tem sabido afirmar-se
para lá daquela condição inicial incontornável, assumindo-se como
projecto consistente e credível, liberta do espírito de 'carolice',
muitas vezes associado a este tipo de edições, como desculpa para
falhas e atrasos.
Em
fase de transição, tem sabido impor-se, não só em Portugal, mas
também em Itália e no Brasil, quer pela qualidade crescente dos
seus colaboradores, quer, consequentemente, dos seus conteúdos.
Terno
e violento
Tenho
Raymond Macherot como um dos meus autores favoritos, que me consegue
surpreender sempre, em especial pela forma como consegue combinar o
grafismo simpático e ternurento de Chlorophylle ou Sibylline,
pequenos habitantes de belos bosques naturais, com uma violência
explícita que choca pelo contraste.
Possivelmente,
para ser levado a sério e perdurar na memória de quem o leu, não
poderia ser de outra forma.
Três...
digitais
São propostas
digitais, para
as
quais, possivelmente,
estamos mais disponíveis neste
tempo de pandemia e confinamento, foram divulgadas no Calendário BD
deste mês mas, para os mais distraídos - e porque se justifica -
deixo
breves notas sobre elas.
[Para
aceder às versões digitais, basta clicar nos respectivos títulos.]
Marcas...
Para
um leitor de banda desenhada franco-belga (clássica...), o que
primeiro marca
nesta
edição,
é a homenagem, evidente na capa, a uma das obras-primas de Edgar P.
Jacobs, A
Marca Amarela.
No
entanto, ultrapassada essa referência, potenciada pelo muro de
tijolos, e pela 'marca vermelha' nele desenhada com um 'W' - ou um
'M' invertido... - no
interior de um círculo aberto, para
além de uma e outra narrativa decorrerem numa Londres nevoenta e de
os protagonistas se relacionarem com a Scotlland Yard, nada mais une
este Dylan Dog e aquele Blake e Mortimer.
Erros
grosseiros e grande desilusão
Posta
à venda esta semana, a colecção Snoopy - A Peanuts
Collection podia ser o
lançamento do ano mas,
afinal, não passa de uma
grande desilusão.
As
razões - e todas as características - estão expostas já a seguir.
Para
lá do universo...
O
universo de As
Cidades Obscuras é
um dos mais originais e estimulantes projectos que a banda desenhada
nos proporcionou nas últimas décadas.
Hábil
combinação de humanidade e arquitectura, de passado e futuro, de
reflexão e desafio, assenta tanto nos argumentos consistentes de
Benoit Peeters, quanto no desenho realista de François Schuiten.
Embora,
segundo os autores, seja exterior a esse universo, Rever
Paris
dificilmente será visto sob
outro prisma pelos
leitores.
Contrastes
Três
meses depois da distribuição em Portugal do primeiro tomo - na
origem mediou meio ano entre os dois números - Miles
Morales está de volta às bancas portuguesas - nesta renovada vida
das edições brasileiras em Portugal - numa edição que se destaca
pelos contrastes que evidencia.