O
outro lado da História
Durante
um determinado período, no seu início, em busca de afirmação e de
importância, a banda desenhada habituou-nos a invocar os feitos dos
reis, dos imperadores, dos ditadores, mas há todo um outro lado da
História por recontar, quase sempre com cidadãos anónimos, como
motores ou protagonistas de momentos que também marcaram a evolução
dos povos.
Bobigny
1972,
obra premiada no Festival de Angoulême deste ano, que a ASA acabou
de disponibilizar
em português, evoca algo assim, um célebre processo que... poucos
leitores destas linhas possivelmente serão capazes de identificar e
contextualizar.
Penguin Random House/Iguana + Distrito Manga
(em construção)
Brutal,
literalmente
Não
costumo comprar BD pelo desenho - soa como um paradoxo, reconheço -
mas, embora empurrado também pelas críticas lidas, foi o lado
gráfico que me levou até este Sangoma
- Les damnés de Cape Town,
desenhado por Corentin Rouge.
Perenidade
Como
medir o sucesso de uma criação (no
caso presente)
em banda desenhada?
Pelos
exemplares vendidos? Pela sua perenidade no tempo?
Sim,
em ambos os casos, mas também pela forma como a obra é inserida e
utilizada (tantas vezes abusivamente) pela cultura popular.
Peanuts
e Mafalda, apesar de tudo de forma diferenciada, são dois
exemplos concretos e incontornáveis,
agora de regresso às livrarias nacionais.
Pecadilho
de juventude... e veterania
Editado
originalmente em álbum em 1979, Go
West
- não confundir com outro livro de título similar... - é uma
parceria entre Derib e Greg que viu a luz do dia nas páginas da
revista Tintin
belga
em 1971-1972. Greg, chefe de redacção e já com um longo currículo
bibliográfico tentava descobrir o melhor do jovem desenhador suíço,
a dar uns primeiros passos que o conduziriam a Buddy Longway.
Para pequenos e... grandes!
Entre
nós, a banda desenhada para crianças, um dos mais importantes
vectores deste
mercado específico, tem sido tradicionalmente esquecida e descuidada
pelas
editoras, talvez porque alguns continuem achar que esta é uma arte
(apenas) para crianças logo todas as obras são para elas
vocacionadas.
Ascensão
e queda
O
acaso, mais uma vez, juntou no tempo - nas minhas leituras e na sua
expansão através dos textos que aqui escrevo - duas obras de
temática similar: ambas são aproximações biográficas a dois
dirigentes
políticos e ditadores.
A
primeira, Hitler,
está
aqui em As
Leituras do Pedro, desde
a passada terça-feira; a outra,
Napoleão,
sob
a forma de tríptico, entra agora.
Regresso
ao passado
Foi
só - só? - há
4 ou 5 anos
mas, na altura mudou
completamente as nossas vidas.
De
tal forma que hoje, olhando para trás, questionamo-nos se aconteceu
mesmo e, à velocidade alucinante que o tempo hoje passa, parece-nos
quase ter acontecido numa outra
existência ou até numa
(ir)realidade paralela.