Alicerces
Pode
um mercado assentar apenas na edição de obras-primas?
Por
muito que custe ou que custe a entender, a resposta é não. Um
mercado - seja qual for a sua dimensão - funciona como uma pirâmide
em que as obras-primas - como as obras alternativas - são
sustentadas pelas edições 'grande público' e pelas obras de
'dimensão média'. Ou seja, por aquele tipo de bandas desenhadas -
de humor, aventura.... - que,
para além dos leitores regulares do género, são capazes de
satisfazer os leitores ocasionais.
Sendo
que tudo o que atrás fica escrito - como o que vem a seguir - está
sempre dependente dos gostos relativos de cada leitor e, globalmente,
dos do tal 'mercado', é por isso que, entre nós, actualmente,
predomina um certo tipo de banda desenhada chamado genericamente de
'aventuras'. Com pontos a favor e contra, séries como Mercenário, Guardião, Duke, Thorgal,
Tango...
têm
o seu lugar, são fundamentais até na estruturação de vendas e de
conquista de lugar nas livrarias
e, enquanto séries, beneficiam do efeito de 'arrastamento' que cada
novo volume provoca.
Este
Nevada,
é o exemplo mais recente.
Acção e intriga sob a égide do
Vaticano
Durante
anos, também pelas vicissitudes de um mercado pequeno, os leitores
portugueses de BD temiam apostar em novas séries, pois estas ficavam
muitas vezes a meio. Nos anos recentes, este paradigma mudou e são
muitas as colecções em publicação regular ou já terminadas. O
Guardião - Agente Secreto do Vaticano é o exemplo mais recente,
com os seus cinco volumes já editados em português pela Gradiva - e
num prazo temporal agradavelmente curto, sensivelmente dois anos.
Banda
desenhada clássica de aventuras, apresenta alguns matizes
singulares, o primeiro dos quais o facto do protagonista integrar um
grupo de elite de homens de acção, criado no interior do Vaticano e
conhecido de poucos. A protecção dos segredos da Cúria romana e a
intervenção em qualquer lugar do mundo sempre que a situação o
exige, são a sua tarefa.
Memória
Ter
memória(s) é importante. Preservar a(s) memória(s) ainda mais.
Divulgá-las contribui para formar melhores pessoas.
Concentrando-me
no tema específico deste blog - a banda desenhada - acrescentaria
que divulgar
a(s) memória(s) contribui para formar melhores leitores.
Porque serão mais informados, mais conhecedores do passado, mais
capazes de desfrutar d(as leituras d)o presente.
A
Colecção Clássica Marvel, que está a ser distribuída aos sábados
com os jornais Correio da Manhã e Record, é a memória que
espoletou estas linhas.
O
poder de uma capa
Costuma
dizer-se que a capa é a porta de entrada num livro. É dela que,
muitas vezes, depende a compra impulsiva de uma obra - ou, em sentido
inverso, a recusa dessa compra. Mais a mais, numa publicação
regular mensal como é Julia
em
Itália - e
agora também
no Brasil, travestida de Júlia
-
em
que a capa pode ter papel preponderante na captação do leitor
ocasional ou de passagem.