Tenho
seguido com interesse o consulado de Chip Zdarsky à frente do
Demolidor, no qual tenho encontrado boas leituras como vou
partilhado por aqui. Este
quinto volume, é claramente de transição entre dois arcos
narrativos e a verdade é que a edição ressente-se disso - mas não
só.
Pôr rótulos é sempre redutor, até porque
raramente eles descrevem na totalidade aqueles em que são colocados,
mas a verdade é que se há área em que o norte-americano Ed
Brubaker se tem distinguido é no campo do policial em banda
desenhada - inclusive quando assinou muitas das suas histórias de
super-heróis da Marvel. Se títulos como Velvet,
Fatale, The Fade Out ou
Criminal, para citar algumas das suas
obras já editadas em português pela G. Floy, o vincam claramente,
Reckless,
acabado de chegar a quiosques e livrarias perpetua essa ideia.
Nas
histórias de Julia Kendall, é normal que ela partilhe o
protagonismo com os criminosos que acabará por investigar. Menos
normal, penso eu - confesso que não fui verificar - é que lhes
entregue completamente a boca de cena, deixando-se ficar no fundo,
quase na sombra. Escrito
de outra forma, nas duas histórias deste volume, Julia apenas
aparece em 40 das 126 pranchas de A
gangue e
em 35 do segundo relato, O
quarto de pânico.
Este é um novo projecto, que chega da Madeira,
assumindo-se como revista e com a pretensão de uma periodicidade
semestral. O primeiro número já anda por lá - mas pode
chegar a toda a parte - e da sua leitura fica a vontade de o voltar a
reencontrar, se bem que são evidentes as
tremuras do recomeço e alguma falta de experiência dos
intervenientes - mas é também para que a ganhem que a Outermost
Comics Edition serve...
Diz-se que os homens não se medem aos palmos e,
numa adaptação livre, pode dizer-se que os livros não se medem
pelo número de páginas. Curto nas suas quarenta e poucas pranchas, A
Cicatriz, obra dos italianos Renato
Chiocca e Andrea Ferraris, que acaba de ter edição nacional pela
Escorpião Azul, mergulha-nos numa situação incómoda,
geograficamente afastada, mas que a televisão e o cinema tornaram de
alguma forma próxima.