Lacuna suprida
E
já está. Depois do diálogo originado pela meu texto sobre Tex
655/20 - A cavalgada do destino, lá
fui à procura de Jonah Hex, um western
que era uma lacuna nas minhas
leituras de um género que aprecio bastante, como bem sabem os que me
seguem por aqui.
Não
sei se foi a melhor porta de entrada - mas foi uma das edições que
me foi sugerida e a verdade é que gostei bastante de Le colt de
la vengeance.
Esta compilação de histórias curtas, que correspondem aos números 1 a 12 da edição original norte-americana, foram escritas por Justin Gray e Jimmy Palmiotti, e t~em como responsáveis gráficos nomes como Frank Quitely, Howard Chaykin, Brian Bolland, Luke Ross, Tony DeZuniga ou Phil Noto.
Do ponto de vista narrativo, a divisão de cada história em capítulos curtos, potencia um ritmo de leitura mais elevado e apropriado a situações limite em que, geralmente, se dispara primeiro e se pergunta depois. Ou já não. Lendo de uma vez só ou ao longo de alguns dias, estejam atentos a pormenores aparentemente pouco importantes, porque no final darão outro sentido ao conjunto.
Inevitavelmente,
a diversidade de desenhadores torna mais heterogénea a edição,
funcionando melhor, de um modo geral, aqueles que associam um traço
mais negro ou assumidamente mais ‘deformado’, à imagem do esgar
incómodo que a face do protagonista apresenta. [Para os que
desconhecem, Jonah Hex foi marcado com um machado em brasa por um
índio, numa punição conhecida como ‘a marca do demónio’ o que
lhe desfigurou a face e lhe conferiu um aspecto assustador.]
O (mau) aspecto de Hex já referido, surge perfeitamente em sintonia com o seu carácter amoral, apropriado a um caçador de prémios implacável, que não hesita em recorrer aos métodos mais violentos - e vinquem bem este ‘violentos’ - para conseguir os seus fins. Contraditoriamente - e essa é uma das características mais sedutores deste western - em momentos determinados - perante injustiças que não consegue suportar - Hex revela uma humanidade e uma empatia que criam uma interessante dualidade e dão consistência e profundidade à personagem.
Para os que preferem um western puro e duro, com cavalgadas, muitos tiroteios e violência a rodos, este Le colt de la vengeance revelar-se-á igualmente adequado, mais do que isso, uma escolha muito acertada.
Por mim, por tudo o que fica atrás, encerrado este grosso volume, é hora de partir em busca de outros relatos de Jonah Hex.
Jonah
Hex - Le colt de la vengeance
Justin
Gray e Jimmy Palmiotti
(argumento)
Frank
Quitely, Leonardo
Manco, Phil
Noto, Howard Chaykin, Tim
Bradstreet,
Brian Bolland, Giuseppe
Camuncoli,
David
Michael Beck, Tony
DeZuniga, Luke Ross
(desenho)
Panini
Comics
França,
2010
170
x 260 mm,
288 p.,
cor, capa mole
29,00
€
(imagens recolhidas online; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão)



Fico contente por o Pedro ter gostado, a seguir recomendo, não há melhor, mas não é para estômagos sensíveis, os trabalhos de Joe R. Lansdale e Timothy Truman sobre o personagem: Jonah Hex - Shadows West, 392 páginas,
ResponderEliminarhttps://www.amazon.com/Jonah-Hex-Shadows-Joe-Lansdale/dp/1401247156/ref=tmm_pap_swatch_0
Ando a redescobrir a arte de Timothy Truman, o Grim Jack é excelente mas estou a ver se apanho o Hawkworld da DC, Mundo Gavião para os brasileiros, sobre o Hawkman (Katar Hol), a arte é muito boa.
Gostei, sim, obrigado pela sugestão.
EliminarE gostei muito do Deadwood Dick, do Lansdale, revisto pela Bonelli: https://outrasleiturasdopedro.blogspot.com/search/label/Deadwood%20Dick
Lá vou ter de procurar o Hex dele...!
Boas leituras!
https://i.postimg.cc/HLWcp5NK/Jonah-Hex-Shadows-West.jpg
ResponderEliminarLi muito recentemente o volume 1 dos livros da chancela Showcase, nesse compilam os primeiros actos do personagem. Li em Espanhol mas há várias versões. Li-o pelas mesmas razões que tu, e ainda que não tenha detestado também não achei que seja algo que me volte a chamar. Talvez porque as histórias são curtas. Ou então, simplesmente não é western para mim. Actualmente estou a ler Marshall Bass que está a ser uma belíssima surpresa.
ResponderEliminarMarshall Bass, de Darko Macan e Igor Kordey? li algumas e acho que fizeram uma série baseada no personagem, Lawman: Bass Reeves, que foi uma pessoa que era Marshall no século 19, não sei o que aconteceu com a arte do Kordey mas já gostei mais, mas sim isto não tem a ver com o Jonah Hex, que às vezes toma rumos sobrenaturais, até existe uma série em que ele é catapultado para o século 21 e tem aventuras de FC num mundo devastado, apocalíptico.
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