Apesar
da aclamada proximidade e afinidade culturais, a banda desenhada
brasileira continua quase desconhecida entre nós. A
Turma
da Mônica,
há décadas distribuída em Portugal nas edições originais, é a
exceção que, honrosamente, a editora Polvo tem
tentado
contrariar através da sua colecção Romance
Gráfico Brasileiro.
O título mais recente, o 35.º do rol, é Como
pedra,
de Lucas Iohanathan, distinguido com o prestigiado prémio Jabuti, em
2023.
A banda desenhada portuguesa perdeu mais um dos seus veteranos: Carlos Baptista Mendes, o biógrafo dos heróis da História lusa partiu para o
paraíso dos autores de BD, contava 88 anos.
Nos últimos anos, José-Luís Munuera tem-nos proposto em banda
desenhada obras provenientes da literatura (Um conto de Natal,
Bartleby, o escriturário, A corrida do século), em
versões inspiradas e cativantes, que a Arte de Autor tem editado por
cá. A mais recente é este Peter Pan de Kensington, que se baseia em O pequeno pássaro branco (1902), de J. M. Barrie.
Sem humor, ou pelo menos sem o humor habitual das histórias de Lucky
Luke, apenas com um arremedo de humor triste que, mais do que sorrir
faz pensar, Lucky Luke - Dakota 1880 - uma clara alusão a
Arizona 1880 a primeira história criada por Morris - é a
mais recente variação de autor sobre as histórias do 'cowboy
que dispara mais rápido que a própria sombra', com edição
portuguesa de A Seita, tal como as seis anteriores.
O desenho ao lado - muito trabalhoso e inspiradíssimo, cliquem nele para o verem na dimensão que merece - é do Paulo J. Mendes, e foi feito para a contracapa do meu livro, As Leituras do Pedro - 40 Anos de Boas Leituras.
Os meus votos para o novo ano é que as boas leituras sejam o corolário de
um ano em que aqueles que dão sentido ao que eu vou fazendo por aqui tenham tudo
aquilo que mais desejam.