Mais
de 50 anos após o 25 de Abril de 1974, a banda desenhada nacional
continua a desaproveitar o que se viveu em Portugal durante a
ditadura - e mesmo durante os primeiros e conturbados anos após a
Revolução dos Cravos. Há alguns exemplos é verdade mas poucos
tendo em conta o enorme potencial da temática, quer ficcionalmente,
quer do ponto de vista histórico.
Criado
na década de 1960 pelo escritor britânico Michael Moorcock , Elric
é uma saga de espada e feitiçaria que, apesar do sucesso atingido,
nunca teve a devida atenção da TV ou do cinema, possivelmente pelos
altos custos envolvidos na criação de um mundo a um tempo rude e
majestoso.
Passei
pelo Convento São Francisco, mais uma vez sede do Coimbra BD, no
sábado e o mínimo que posso dizer é que passei bem. Entre
a apresentação do meu livro, autógrafos próprios e de outros,
reencontro com amigos e conhecidos e conversas animadas, trouxe boas
recordações de um festival que deu um passo em frente.
Autêntica
instituição, no melhor sentido da palavra, Dylan Dog continua a ser
capaz de surpreender - e de fazer pensar… - número após número.
A temática pode ser fantástica ou pode basear-se na mais pura
atualidade, como é o caso de O terror, uma narrativa
com data de 2017 - mas não datada.
Tenho
para mim que há duas formas de julgar uma adaptação: pela sua
fidelidade à obra original e pela sua validade no novo suporte. Isto
aplica-se do mesmo modo quando um romance passa ao ecrã ou a banda
desenhada mas também, no sentido inverso, quando uma banda desenhada
passa ao ecrã, seja ele televisivo ou cinematográfico.
Tal
como existe comida de conforto - a das nossas mães, das nossas avós
à cabeça… - existe leitura de conforto, aquelas que nos deixam de
bem com a vida, a acreditar nos homens, a crer em utopias e na
vitória dos sonhos sobre ’o que tem de ser’. Ulysse
& Cyrano,
mais uma obra justamente emoldurada com vários prémios, que a ASA
disponibilizou
em português logo
em Janeiro é
mais um exemplo disso. Saboroso.
Apreciador
assumido da linha clara, deixei que os olhos desfrutassem com o
grafismo deste álbum, sobre o qual não tinha quaisquer indicações,
atraído que fui de imediato por uma planificação com vinhetas de
dimensões generosas e páginas duplas e pelo traço grosso e limpo de Philippe Girard.
Costuma
dizer-se que o importante não é a história, mas sim a forma como
ela é contada. E quando o(s) autor(es) conseguem contá-la bem, o
tema não importa, os leitores são seduzidos até por aquees a que
são indiferentes. É
o caso de Carlota
Imperatriz,
primeiro de dois volumes com a edição integral da biografia de
Carlota da Bélgica, assinada por Fabien Nury e Matthieu Bonhomme,
que a Ala dos Livros lançou recentemente e promete acabar no segundo
semestre.
Quase
dois anos depois, está finalmente completa a adaptação em BD que
Milo Manara fez do romance O
Nome da Rosa,
de Umberto Eco e que a Gradiva editou em português. O
original é célebre, o filme contribuiu para o conhecimento da
história, por isso a curiosidade em torno da sua passagem para banda
desenhada consistia essencialmente em ver como conseguiria Manara
contar por imagens um texto denso, para mais passado num espaço
relativamente fechado, uma abadia beneditina.
Defender
aquilo em que se acredita, seja em banda desenhada, romance, série
de televisão ou filme, é algo extremamente difícil. Por um lado é
necessário assumir um tom claramente subjetivo, mesmo que apoiado
por factos, mas por outro há que evitar o tom panfletário, os
excessos e os extremismos que desinteressem o leitor não convertido. A
nossa voz! consegue-o.
Quinto volume da colecção Marvel Must Have, distribuída quinzenalmente aos sábado com os jornais Correio da Manhã e Record,O Velho Logan foi um dos títulos Marvel que mais me surpreendeu, tanto pela sua força visual, quanto pela violência visceral do relato.
Sangoma,
edição recente da Arte de Autor, é uma história de tom policial
que decorre na África do Sul pós-Apartheid, embora, na prática,
ele só exista no papel porque, no terreno, seja nos bairros de lata
dos subúrbios, nas enormes fazendas dos brancos que os negros
reclamam ou no próprio parlamento, a segregação continua presente
os ódios ancestrais não se atenuaram, as feridas não sararam e
qualquer pretexto fá-las reabrir. E, entre os posicionamento
extremistas e radicais de um e outro lado, é difícil encontrar uma
posição intermédia e equilibrada.
Volta e meia dou por mim a
pensar o que leva autores de créditos firmados, obra feita e
carreira longa a retomarem séries antigas, nalguns casos datadas e
que até nem são especialmente marcantes ou
originais. A
pergunta é retórica, eu sei e a resposta é simples: alimentar a
nostalgia de gerações e garantir - tanto quanto isso é possível -
vendas (no mínimo) interessantes. Um
dos exemplos mais recentes - mesmo assim já quase com um ano - é
este Ray Ringo.
Como
pai, assusta-me pensar que aquilo que é narrado neste livro é
verdade. Aliás, a primeira impressão que um potencial leitor tem,
antes de o abrir e começar a ler, é que houve um erro na capa do
livro e o título deveria ser O
O Guia do MEU
pai.
Mas não, a proposta da Devir para o dia do progenitor que passou
há dias é
mesmo O
Guia do mau pai,
de Guy Delisle, pai de duas crianças em idade de escolaridade básica
que, num registo auto-biográfico com muito de irónico, ele trata
com um misto de afecto, impaciência e preguiça.
Se muitas vezes tenho
expectativas criadas ou
informação fundamentada sobre os livros em que pego, no caso deste
Longe mergulhei
- expressão plenamente adequada… - às escuras.
Boa
parte do que escrevi há dias, a propósito de Les
enfants de la résistance 5 - Le pays divisé,
poderia igualmente servir de intróito a este texto. Desta forma,
involuntariamente, uma leitura já com algumas semanas, acaba por
estar tematicamente ligada a outra feita há dias, confirmando a
minha predilecção pela temática da II Guerra Mundial.
O
regresso - a continuidade soa melhor - da Mudnag e dos irmãos Gandum
à temática dos dinossauros fez-se com Portugal Jurássico,
que terá lançamento oficial no próximo sábado, 21 de Março, no
LouriBD mas já está disponível na editora.