Thorgal
é sem qualquer dúvida uma das séries de BD da minha vida. Descobri-o,
deslumbrado, no Mundo de Aventuras; (re)li-o aos soluços em edições
de vária proveniência: Bertrand, VHS, Futura...; ganhei absoluta
consciência da sua importância e qualidade ao ler de seguida uma
vintena de álbuns em francês; acompanhei-o, depois, mais
intermitentemente do que desejava, até ao fim do ciclo de Van Hamme,
um pouco mais até, com um Sente desinspirado - como quase sempre,
vinco… - que me levou aos poucos a deixar uma série que combinava
de forma perfeita passado e futuro, aventura e ficção científica,
um realismo e sobrenatural.
Peço
emprestada a Sophia de Mello Breyner Andresen uma frase emblemática
de O
Cavaleiro da Dinamarca:
“(…)
as histórias tantas vezes ouvidas pareciam cada ano mais belas e
mais misteriosas (...)” E
é isto que a BD tem feito, muitas vezes, nos últimos anos: pegar em
histórias ‘tantas
vezes ouvidas’,
dar-lhes uma roupagem diferente, apropriada à linguagem dos
quadradinhos que as recontam, e torná-las ‘mais belas e
misteriosas’.
Renovar
ou inovar num género ancestral como o western é difícil;
mas é possível dar-lhe uma nova roupagem. Foi o que fez Laurente
Astier em Veneno (Venin no original francês,
cujos cinco álbuns foram compilados em dois nesta edição
espanhola).
O
acontecimento mediático [da
semana de 9 a 15 de Agosto],
o eclipse do sol, foi o pretexto - desnecessário - para regressar a
Tintin e a uma das suas mais emblemáticas aventuras: o díptico As
7 bolas de cristal/O Templo do Sol,
disponível em edição portuguesa da ASA.
Sendo
nós humanos, temos - genericamente - tendência para apontar o dedo
depreciativo aqueles que conseguiram chegar
mais longe. Sendo
ainda bastante jovem, Kachisou tem já um percurso significativo e
conseguiu - a diversos níveis - chegar onde, possivelmente, nem
sequer tinha sonhado.
Após
um périplo que o levou da sua Gália natal até ao Egipto natal de
Enak - e a recordar muito da sua juventude - o senador Alix
aproxima-se agora das fronteiras a norte do império romano. Um
interregno na sua busca pela mítica (?) Atlântida, que o leva de
novo a mergulhar nas intrigas pelo poder no seio de Roma.
Alterações
climáticas. Catástrofes naturais. Migrações descontroladas.
Campos de acolhimento - ou de concentração?… Estes temas,
incomodamente actuais, são a base de Islander,
que a Arte de Autor propõe em português, uma leitura que ganha
relevância nos dias que correm e quando o segundo de três volumes
está prestes a ser editado.
A presença de Julia Korbik e Julia Bernhard, como convidadas do Maia BD 2026, foi o
pretexto para uma conversa sobre o seu livro Simone de Beauvoir -
Quero tudo da vida (Iguana,
2026). Uma versão condensada foi publicada
na edição impressa do Jornal de Notícias de 27 de Julho de 2026 e
está também disponível online. A seguir, encontram a versão
integral.